sábado, 14 de junho de 2014

FALA LULA E DILMA EM RECIFE PERNAMBUCO


O “meu garoto” da direita

14 de junho de 2014 | 12:24 Autor: Fernando Brito
todosjuntos
Essa foto aí de cima é do site do PSDB e retrata a convenção nacional do partido, que está acontecendo em (claro!) São Paulo.
Como numa equipe de futebol: Aécio, FHC, Alckmin, Serra, ACM Neto, Alvaro Dias, Aloysio Nunes Ferreira
A manchete em destaque é de O Globo, hoje, na internet.
Não se trata, portanto, de “propaganda”.
Mas é.
É o significado de algo, traduzido numa imagem, apenas.
O Brasil do passado, queira ou não a juíza do TSE que isso seja mostrado.
Um Brasil, sim, que dá medo e que o povo brasileiro exorcizou por três vezes.
O Brasil do arrocho salarial, nas negociatas da privatização, da submissão internacional, o Brasil dos Calabares.
Quando os negamos, é a isso que negamos.
Aécio é apenas uma cara nova para essa direita nada nova.
Que, de tão velha de ideias, envelheceria até um adolescente.
Não precisamos nos exaltar, nem xingar, nem vaiar.
O povo brasileiro não é um tolo e vai perceber tudo isso.
Esse retrato é mais convincente que qualquer argumentação.
Porque ele é a imagem de um Brasil que ficou para trás, embora teime em nos assombrar.

GRAFICO ILUSTRA BEM O AUMENTO DA RENDA EM DÓLAR


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Copa do Mundo: quem faz o quê?

Quem canta a pedra na Copa
A Copa é um evento esportivo da Fédération Internationale de Football Association (Fifa), associação regida pela legislação suíça. Este ano, o evento acontece no Brasil. Na abertura da Copa, nesta quinta-feira (12), teve muita confusão sobre quem foi responsável por qual parte do evento e comentários de que fulano ou beltrano deveriam melhorar aspectos que não são de sua responsabilidade. Então, o Muda Mais resolveu fazer um guia rápido de responsabilidades da Copa. De quem é a culpa...
Pela escolha do país sede da Copa? A Fifa (link is external). Isso porque o evento é da Fifa. Então, ela escolhe onde vai acontecer.
Pela escolha das cidades que recebem os jogos da Copa? A Fifa, baseada em visitas feitas por técnicos da entidade e nos projetos entregues pelas cidades.
Da organização das festas de abertura e encerramento da Copa? Uma agência contratada pelo Comitê Organizador Local da Fifa. O comitê é uma entidade privada ligada à Fifa e 100% gerida com recursos próprios da Fifa. No caso da Copa do Brasil, a empresa organizadora contratada é a Team Spirit (link is external), cujo presidente é Alan Cimerman.
Pela escolha do diretor artístico das cerimônias de abertura e encerramento da Copa do Mundo? A empresa contratada para organizar as festas. Em 2014, como já falamos, foi a Team Spirit, que contratou Franco Dragone, que foi diretor artístico do Cirque du Soleil por cinco anos.
Pelo tipo de evento? É definido pelo diretor contratado para isso – no caso do Brasil: Franco Dragone – e por quem faz a coreografia. A coreógrafa da abertura da Copa no Brasil foi a belga Daphné Cornez. Eles devem considerar as condições do local onde é feito o evento. A abertura é feita no estádio onde menos de uma hora depois vai acontecer o jogo de abertura do evento. Assim, a coreografia que vimos na tarde de hoje foi realizada sobre uma lona especial que permite a respiração do gramado. Como a lona é a única proteção, não é possível passar uma escola de samba por cima dela para fazer a mega apresentação que alguns brasileiros esperavam.
Pela escolha do técnico? A Confederação responsável pelo esporte em cada país. No caso do Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol (link is external) (CBF).
Pela definição da seleção? O técnico. A história conta que na época da ditadura militar no Brasil houve interferência do presidente Emílio Garrastazu Médici (link is external), mas hoje vivemos em uma democracia e essas atitudes não são mais possíveis de se imaginar.
Pelo que você vê na TV? O trabalho de captura das imagens e retransmissão para as emissoras fica a cargo da empresa franco-suíça HBS, contratada pela FIFA para filmar e distribuir as imagens dos 64 jogos da Copa. A base da imagem é igual em todo o mundo. As emissoras locais podem comprar pontos exclusivos em cada estádio. Obviamente, quando a imagem é exclusiva, o apresentador da respectiva emissora faz questão de avisar aos telespectadores que aquela imagem você tem só com ele! É aí que você ouve na transmissão: "na câmera exclusiva da emissora X, que você vê agora”. Ou, no mínimo, eles colocam o selo de câmera exclusiva na tela. Quando não acontece isso, é imagem da HBS.
Então, quando for reclamar de qualquer aspecto da Copa, confira antes a quem vai direcionar sua reclamação. A gente acha que é legal ser questionador e crítico, mas tem que direcionar para quem tem a responsabilidade.

Polícia faz busca em casa de jornalista: “Nunca falei nada do Aécio”

 

publicado em 11 de junho de 2014 às 17:50

por Luiz Carlos Azenha
A casa completamente revirada. Apreendidos um computador, dois HDs externos, pen drives, um iphone sem uso, chips de computador, CDs de fotos e um roteador.
A jornalista Rebeca Mafra, do Rio de Janeiro, que trabalha no Canal Brasil, concorda que viveu um dia “bizarro”.
Era por volta do meio dia quando ela recebeu uma ligação do prédio onde mora com a informação de que policiais estavam presentes com um mandado de busca e apreensão e arrombariam a porta.
Como trabalha na Barra da Tijuca e mora no centro, Rebeca pediu a uma amiga que tem a chave que abrisse a porta.
Os policiais reviraram tudo.
Só mais tarde ela soube qual era a acusação: ela teria de alguma forma participado de um grupo organizado para difamar o senador Aécio Neves nas redes sociais.
O problema é que, segunda ela, “nunca falei nada do Aécio” nas redes sociais.
Rebeca não se define como uma internauta muito ativa. Admite que não pretende votar em Aécio, mas diz que o que mais faz é postar fotos no Instagram. “Olha o meu Facebook”, sugeriu.
De fato, uma rápida navegada pelo perfil da jornalista demonstra que ela em geral reproduz posts de outras pessoas, não relacionados a política.
No Facebook, segunda ela, o máximo que faz é dar algumas curtidas.
Porém, documentos aos quais o Viomundo teve acesso demonstram que Rebeca e outras quatro pessoas estão sob investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro a pedido do senador Aécio Neves.
Na decisão em que atendeu ao pedido do Ministério Público para expedir os mandados de busca e apreensão, o juiz descreveu uma suposta quadrilha muito sofisticada:
Segundo narra o órgão ministerial, o procedimento investigatório foi iniciado a partir de notitia criminis encaminhada pelo Exmo. Senador Aécio Neves, na qual noticia a prática reiterada de crimes contra a sua honra através da colocação de comentários de leitores em sites de noticia, muitos dos quais não guardam qualquer pertinência com as notícias comentadas. Afirma o Parquet que há indícios de que tais comentários são lançados de forma orquestrada, por pessoas associadas para, mais do que potencialmente  afetar a reputação do senador, associar, em escala estatisticamente relevante, seu nome aos termos constantes dos comentários. Assim agindo, possuem os autores o intento de alterar os resultados dos mecanismos de busca na internet, como o Google, por exemplo, fazendo com que tais páginas — ainda que substancialmente irrelevantes — alcancem destaque nos resultados das pesquisas.
A Folha deu a notícia com grande escândalo, um press release do PSDB.
Porém, para pelo menos uma das pessoas acusadas, a jornalista Rebeca Mafra, é tudo novidade.
“Que maluquice”, comentou Rebeca quando informada de que é acusada de atuar numa espécie de “quadrilha virtual”, já que ela não conhece nenhum dos outros quatro acusados.
“Bizarro”, eu disse à entrevistada por telefone. Ela concordou: “Bizarro”.
Rebeca ainda não deu depoimento à polícia carioca.
[Post alterado para acréscimo de informações]

quarta-feira, 11 de junho de 2014

 

A Copa do Mundo, agora, é nossa

11 de junho de 2014 | 02:35 Autor: Fernando Brito
dilmatv
Muito bom, pela serenidade e pelas informações, o pronunciamento de Dilma Rousseff.
Absolutamente necessário e pertinente, embora seja tão certo que, como o dia há de clarear daqui a pouco, a oposição vá criticá-lo como de “eleitoral”.
Só há duas coisas a lamentar.
A primeira, incrível, é que algo assim tenha de ser feito.
Porque um evento esportivo e comercial, que já ocorreu em mais de uma dezena de países do mundo – alguns com pobreza igual e muito maior que a nossa – jamais se lembraram de dizer que isso fosse tirar dinheiro de saúde, educação ou de serviços públicos.
E não disseram porque é uma comparação improcedente.
Os números apresentados por Dilma mostram que tudo que se gastou – e por financiamentos – com estádios em três anos e meio não daria sequer para pagar uma semana dos gastos com saúde e educação.
Mas a campanha da mídia e da oposição transformaram a Copa em uma bandeira demagógica.
Por isso, é lamentável que isso tenha de ser desmontado.
E o segundo lamento é que, afinal, o Governo brasileiro esteja dizendo tudo isso tão tarde.
Com receio de cair numa politização da Copa, demorou a assumir uma postura mais agressiva, direta e confrontadora.
Os inimigos do trato democrático da informação não se fizeram de rogados e previram todas as pragas desabando sobre o evento.
O “não vai ter Copa” se tornou a regra na imprensa brasileira.
Mas vai ter Copa.
E ela vai, infelizmente, ser politizada.
Com efeitos negativos devastadores para quem o fez.

domingo, 8 de junho de 2014

“Abaixo e à esquerda” define grupos que se mobilizam contra a Copa

publicado em 7 de junho de 2014 às 12:47

Fotos de Caio Castor
Quem são os grupos que protestam contra a copa?
Por Beatriz Macruz e Caio Castor
Mais de 100 coletivos, grupos e movimentos políticos, sociais e culturais assinaram o manifesto do ato “15M – Copa sem povo, tô na rua de novo”, que reuniu certa de 7000 pessoas no dia 15 de maio, e que começa com a seguinte frase:
O Comitê Popular da Copa SP (articulação horizontal e apartidária de movimentos sociais, organizações, coletivos e indivíduos) desde 2011 se organiza para denunciar as violações de direitos humanos e fortalecer a resistência abaixo e à esquerda contra a violência estatal que se intensifica com a Copa da FIFA de 2014.”
Em comum, além de questionar a realização da Copa no Brasil, todos os grupos signatários, que apoiaram a realização do ato, entendem estar “abaixo e à esquerda”, expressão cunhada pelo Movimento Zapatista (EZLN). Sublinhar esta referência é importante, pois ela evidencia a mudança de paradigma de organização e ação política que dá o tom da maioria das mobilizações em torno da realização da Copa no Brasil.
“A gente tem um tipo de organização que não podemos chamar de trabalho de base, preferimos dizer que é uma construção coletiva”, define Vanessa Santos, integrante do Comitê Popular da Copa – SP, que faz parte de uma articulação nacional de comitês nas outras onze cidades que vão receber os jogos da copa do mundo.
Vanessa dá exemplos de como funcionam o diálogo e a construção de pautas e mobilizações coletivamente: “Os ambulantes, por exemplo; o trabalho autônomo, é uma pauta muito forte [por conta da áreas comerciais exclusivas para a Fifa previstas na Lei Geral da Copa], então a gente faz uma série de atividades junto com eles, para a gente poder construir juntos argumentos, sobre o que é que essa Copa do Mundo não corresponde com a pauta deles”, explica.
Ela lembra que o Comitê abraçou o mote “Copa sem povo, tô na rua de novo”, a partir de uma reunião com a Frente de Resistência Urbana, “da qual fazem parte vários outros coletivos; e a gente entende que esse é o trabalho do Comitê, estar junto com eles. Então, o fato de a gente ter esse lema, que nem fomos nós que colocamos, que veio dos próprios movimentos, mostra que nosso trabalho de três anos deu resultado.”
Várias frentes de resistência
“O Comitê é uma das articulações em relação à Copa do Mundo, existem várias delas”, explicou o coordenador do MTST – Movimento dos Trabalhadores sem Teto, Guilherme Boulos, durante o ato convocado pelo movimento, que aconteceu na quinta-feira, 22 de maio, exatamente uma semana depois do ato 15M, “nós estamos articulados na Frente de Resistência Urbana [que reúne principalmente grupos que lutam por moradia digna em várias cidades brasileiras], mas mantemos uma relação com os companheiros do Comitê, que estão aqui hoje, apoiam os atos, e nós também apoiamos as atividades que eles constroem.”
Segundo os organizadores da manifestação — que trazia (bem como de todas a mobilizações do MTST em torno da Copa) o mote “Copa sem povo, tô na rua de novo” — aproximadamente 20 mil pessoas se reuniram no Largo da Batata manifestando-se pelo que o MTST e a Resistência Urbana chamaram de “Campanha pelo Hexa de Direitos”.
O coordenador do MTST reitera que o legado social da Copa é negativo, uma vez que “a Copa evidencia uma série de contradições: gastos públicos com estádios e com obras que vão ter uma finalidade pública e social bastante duvidosa, ao mesmo tempo que se dá todo este processo de exclusão urbana também proporcionado pela Copa”.
Copa pra quem?
“Como a gente entende que a Copa não é para a gente, decidimos realizar uma copa que fosse nossa”, conta Vanessa. Em dezembro do ano passado e em maio deste ano aconteceram a 1ª e a 2ª edição da Copa Rebelde dos Movimentos Sociais, organizada pelo Comitê e coletivos parceiros de maneira autônma.
“Essa copa aconteceu em um terreno bem simbólico, que fica em uma região conhecida como Cracolândia, que tem um número grande de população em situação de rua”, explica.
O terreno em questão é o espaço que foi anteriormente ocupado pela antiga Rodoviária da Luz, alvo de acirrada especulação imobiliária, mas que está, neste momento, abandonado.
“A gente sabe que tem um projeto, um projeto que já custou milhões só pra ser desenhado para esse terreno, e para o qual a população não foi consultada, que não corresponde com a população que mora e que vive ao redor daquele terreno”, completa Vanessa.
“Por isso resolvemos ocupar esse lugar simbólico com a realização da Copa Rebelde”, na qual se juntaram 32 bandeiras de movimentos, coletivos e grupos sociais da cidade de São Paulo, incluindo times da população em situação de rua e que vivem nos cortiços no entorno da antiga rodoviária.
Outro coletivo político que propõe novos paradigmas de mobilização e se somou às atividades do Comitê Popular da Copa é o Movimento Passe Livre (MPL-SP), um dos principais articuladores da jornada de lutas contra o aumento da passagem de transporte público que eclodiu em junho de 2013.
Já naquele momento, em meio à variedade de pautas e atores políticos que pouco a pouco engrossaram o complexo caldo de mobilizações que tomou a cidade de São Paulo, e depois diversas outras capitais brasileiras, o MPL buscou reiterar o caráter anticapitalista e autônomo da sua forma de mobilização pelo transporte público e a tarifa zero.
Segundo porta-vozes do coletivo, foi nessa mesma toada que o MPL-SP começou a discutir os impactos da Copa do Mundo desde que foi anunciada, em 2009.
“Fizemos um seminário sobre as alterações na política de transportes por conta da Copa, buscando articular a luta por transporte com demais lutas urbanas. As obras envolvendo a Copa do Mundo reproduzem um modelo autoritário de cidade, no qual as pessoas não participam das decisões acerca dos investimentos que serão feitos. É uma cidade construída para a circulação do capital e para o aumento da exploração dos trabalhadores; o transporte também se organiza dessa maneira. Nesse sentido lutar pela tarifa zero e questionar as obras da Copa do mundo se inserem na luta por uma cidade que esteja à serviço dos trabalhadores e trabalhadoras que cotidianamente a constroem.”
“Sempre tivemos o Comitê Popular da Copa como um aliado, tentamos construir conjuntamente alguns debates e mobilizações” esclarecem os porta-vozes, “nós participamos das duas Copas Rebeldes, e quanto aos atos do mês de maio também participamos das reuniões organizativas e de sua construção.”
A bateria da Fanfarra do M.A.L. (ou do Movimento Autônomo Libertário) participou das duas edições da Copa Rebelde. “A Fanfarra não é um movimento social, mas a partir dos nossos princípios [de horizontalidade, solidariedade, autonomia, poder popular, apartidarismo, combatividade e anticapitalismo] apoiamos e integramos lutas contra injustiças sociais. Entendemos que não existe Copa boa, que se mobilizar contra ela é legitimo, as pautas da moradia, do transporte, do acesso à cidade vão bem ao encontro do que acreditamos e tentamos emitir através de nossas músicas e presença nos atos”, afirmam as porta-vozes do coletivo que busca fortalecer, potencializar e agitar manifestações populares com sua bateria e suas composições.
A Fanfarra também participou de alguns atos da frente “Se não tiver direitos, não vai ter Copa”.
“Chegamos a dar oficinas de bateria em alguns dos atos”, afirmam as porta-vozes, “por acreditar que se deve existir uma autonomia entre manifestantes, não vemos diferenças entre as frentes [de luta em torno da Copa], mas optamos por construir com os movimentos populares no Comitê, por uma afinidade política”.
Se não tiver direitos, não vai ter Copa?
Além da Resistência Urbana e do Comitê Popular da Copa, a articulação de coletivos que se reúne sob o lema “Se não tiver direitos, não vai ter Copa”, composta por outros grupos e coletivos, foi a responsável pelas primeiras seis mobilizações em torno da copa que ocorreram em São Paulo desde janeiro de 2014, e que sofreram muita repressão policial em seu início, e cujo lema “não vai ter Copa” foi extensamente questionado na imprensa e nas redes sociais.
Por outro lado, Rafael Padial, membro do coletivo Território Livre, que participou da construção destes atos, enxerga muita semelhança entra as pautas defendidas pelo “Não vai ter Copa” e as outras: ’é claro que [a frente] “Se não tiver direitos, não vai ter Copa” tem vários grupos, e por isso tem várias pautas diferentes. Mas a maioria dos grupos tem uma proximidade de pauta, de programa com os grupos do Comitê Popular da Copa”, explica.
A frente “Se não tiver direitos, não vai ter Copa” é composta principalmente pelos grupos Território Livre, Fórum Popular de Saúde, O Protesto não pára, e um segmento do grupo Anonymous, além de militantes autônomos e independentes.
Segundo Rafael, “o Território Livre é o único que destoa, porque somos os únicos que pedimos o cancelamento da Copa — com a perspectiva de que seria uma demonstração de força do povo, e uma derrota para o governo, que permite ao povo, estando mais forte, reivindicar os seus direitos depois”.
Mas ele explica que o que de fato separou a articulação do “Não vai ter Copa” do Comitê foi “a vontade de ir para a rua antes, ou não; de acompanhar a juventude radicalizada que não saiu das ruas desde junho passado. A maioria destes grupos tem a perspectiva de usar a Copa para negociar direitos.”
O povo na rua de novo
Apesar das diferenças de método e/ou programa, Vanessa Santos pondera que o Comitê acha “muito sadia” a variedade de grupos que problematizam o tema e ocupam a rua. “Conversamos com esses outros coletivos, tanto é que o ato 15M foi um ato unificado. Foi o sétimo ato que saiu às ruas problematizando essa questão da copa, os seis atos anteriores foram os atos chamados pelo “Não vai ter Copa”, e durante todo esse tempo a gente [do Comitê] perguntou “Copa pra quem?”, chegou a hora de responder”, afirma.
Como São Paulo, além de sediar algumas partidas, vai receber também o congresso da FIFA, há uma série de protestos programados para a cidade.
Guilherme Boulos, do MTST, considera qualquer tentativa de apropriação de pauta por parte da direita como ilegítima e diz que será condenada pelo movimento.
“A direita é especialista em distorcer e ressignificar pautas populares. O que nós achamos lamentável é que determinados setores, que historicamente eram relacionados à luta dos trabalhadores, à luta popular, se valham desta argumentação para deslegitimar mobilizações populares. A gente se diferencia deste discurso e da apropriação da direita na prática, se mobilizando, e à medida que vamos clarificando nosso discurso.”
Ele afirma que a questão não é ser contra a Copa: “Não é este o debate que está colocado no MTST, é denunciar as contradições que a Copa traz, e ao mesmo tempo aproveitar este momento para o atendimento das nossas reivindicações, se a Fifa e as empreiteras foram atendidas, os trabalhadores também precisam ser atendidos”.
O ato do MTST foi, até agora, a maior mobilização em torno da Copa na cidade de São Paulo; reuniu aproximadamente 20 mil pessoas que caminharam desde o Largo da Batata, na Av. Faria Lima, até a Ponte Estaiada, em luta e apoio às reivindicações do movimento e a problematização da Copa.
Enfrentaram o fantasma da estranha manifestação de 17 de junho de 2013, ocorrida quase um ano atrás, em que a luta contra o aumento da passagem sofreu uma guinada e foi diluída em pautas diversas, que nem sempre tinham a ver com a linha política autonomista e anticapitalista que o Movimento Passe Livre procurou imprimir ao movimento. Falou-se em “invasão coxinha” e “sequestro de pauta” pela direita.
fonte: viomundo