quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Deputado tucano entra no rol de suspeitos por tráfico internacional de drogas

27/11/2013 12:12
Por Redação, com Viomundo - de São Paulo e Belo Horizonte

Advogado do piloto Rogério Almeida Antunes, preso por transportar mais de 400 Kg de cocaína no helicóptero do deputado estadual Gustavo Perrela (PSDB-MG), Nicácio Pedro Tiradentes afirmou, em entrevista, que seu cliente aponta o parlamentar tucano como proprietário da droga apreendida, domingo, durante uma batida policial. Almeida Antunes, ao site de notícias Viomundo, afirmou que o deputado Perrella, de Solidariedade, no interior mineiro, “mentiu ao dizer, em entrevista, que o piloto roubou o helicóptero que estava em nome da Limeira Agropecuária e foi apreendido em uma fazenda no município de Afonso Cláudio, Espírito Santo, com mais de 400 quilos de cocaína a bordo”.
O advogado, contratado pela família do piloto, esteve com o acusado, na véspera, e após deixar o encontro, revelou que Rogério Antunes “era homem de confiança” do deputado Perrella, a ponto de ocupar um cargo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde ganhava sem sequer aparecer no local do serviço. O fato também foi confirmado na edição desta quarta-feira do diário conservador mineiro O Estado de Minas, o qual afirma que o piloto era “agente de serviço de gabinete da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Com salário de R$ 1,7 mil”.
“Antunes está lotado desde abril deste ano na 3ª Secretaria da ALMG, presidida pelo deputado Alencar da Silveira Júnior (PDT). O pedetista informou que Rogério seria demitido nas próximas horas”, afirma.
Segundo o advogado, antes de decolar com o carregamento da droga, que tinha como destino a Europa, segundo fontes policiais, o piloto fez duas ligações para o deputado Perrella. A viagem, de acordo com o advogado, tratava-se de um frete para o transporte de “suplementos agrícolas”. Ambos sustentam desconhecer que se tratava de cocaína. Antunes também disse ao seu advogado que o parlamentar estaria tentando “empurrar o pepino” para ele, que era o piloto da aeronave.
Ao lado do governador paulista, Geraldo Alkmin, e do senador mineiro Aécio Neves, Perrella publica foto em uma rede social
Ao lado do governador paulista, Geraldo Alkmin, e do senador mineiro Aécio Neves, Perrella publica foto em uma rede social
Antunes também sugeriu que estaria em curso a tentativa de livrar outro envolvido, pessoa “de posses” que acompanhava o vôo, mas não identificou esta pessoa, com a qual o advogado deve se encontrar nas próximas horas, para obter novas informações. Além do piloto foram presos o co-piloto Alexandre José de Oliveira Júnior, de 26 anos, o comerciante Róbson Ferreira Dias, de 56, e Everaldo Lopes de Souza, de 37.
“O advogado disse que a fazenda destino da carga era de propriedade do senador Zezé Perrella (PDT-MG), ex-presidente do Cruzeiro e pai de Gustavo Perrella. Segundo o advogado, a propriedade está em nome da Limeira Agropecuária e teria sido comprada ‘por cinco vezes o valor’ de mercado. Nicácio Tiradentes informou que pretende entrar nas próximas horas com habeas corpus para tirar o piloto da cadeia”, afirma o Viomundo.
– O deputado não poderia enlamear o menos favorecido pela sorte – disse o advogado, se declarando “magoado”.
Segundo ele, o piloto “não fez nada sem autorização”. Para provar isso, Nicácio pretende pedir quebra do sigilo telefônico do piloto:
– Deu duas ligações (para o deputado). Aí que mora o perigo – concluiu.
Ouça, aqui, a entrevista do advogado ao editor do Viomundo, Luiz Carlos Azenha

Piloto diz que fez duas ligações a deputado antes de voar; fazenda destino da cocaína era dos Perrella, diz advogado

publicado em 26 de novembro de 2013 às 16:35



Topo, cena do Facebook de Gustavo Perrella; Joelson Mendonça (sugerido pelo Gerson Carneiro) fez o print do UOL, que identificou Zezé Perrella como senador do PT, quando é do PDT, ligado a Aécio Neves; notícia na capa de O Estado de Minas, com destaque para o “tenta complicar”(sugerido pelo Nuno).
por Luiz Carlos Azenha
O advogado Nicácio Pedro Tiradentes, que representa Rogério Almeida Antunes, disse esta tarde ao Viomundo que o deputado estadual Gustavo Perrella (Solidariedade-MG) mentiu ao dizer, em entrevista, que o piloto roubou o helicóptero que estava em nome da Limeira Agropecuária e foi apreendido em uma fazenda no município de Afonso Cláudio, Espírito Santo, com mais de 400 quilos de cocaína a bordo.
A apreensão aconteceu domingo.
Nicácio, que foi contratado pelo pai do piloto, passou algumas horas com o acusado e saiu do encontro dizendo que Rogério era homem “de confiança” do deputado Perrella, tanto que ocupava um cargo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde não trabalhava. Segundo o jornal O Estado de Minas, o piloto era “agente de serviço de gabinete da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Com salário de R$ 1,7 mil, Antunes está lotado desde abril deste ano na 3ª Secretaria da ALMG, presidida pelo deputado Alencar da Silveira Júnior (PDT)”. O pedetista informou que Rogério seria demitido nas próximas horas.
De acordo com o advogado, o piloto fez duas ligações para o deputado Perrella antes de voar o frete. Ele sustenta que tanto o piloto quanto o deputado acreditavam tratar-se de implementos agrícolas. Disse também que o deputado estaria tentando “empurrar o pepino” para o piloto. Sugeriu que haveria a tentativa de livrar outro envolvido, pessoa “de posses” que acompanhava o vôo, mas não identificou esta pessoa, com a qual o advogado deve se encontrar ainda hoje para obter novas informações.

Além do piloto foram presos  o co-piloto Alexandre José de Oliveira Júnior, de 26 anos, o comerciante Róbson Ferreira Dias, de 56, e Everaldo Lopes de Souza, de 37.
O advogado disse que a fazenda destino da carga era de propriedade do senador Zezé Perrella (PDT-MG), ex-presidente do Cruzeiro e pai de Gustavo Perrella. Segundo o advogado, a propriedade está em nome da Limeira Agropecuária e teria sido comprada “por cinco vezes o valor” de mercado.
Nicácio Tiradentes informou que pretende entrar nas próximas horas com habeas corpus para tirar o piloto da cadeia.
“O deputado não poderia enlamear o menos favorecido pela sorte”, disse o advogado, se declarando “magoado”.
Segundo ele, o piloto “não fez nada sem autorização”. Para provar isso, Nicácio pretende pedir quebra do sigilo telefônico do piloto: “Deu duas ligações [para o deputado]. Aí que mora o perigo”.
PS do Viomundo: Como notou um leitor nos comentários, o Brasil é o único país do mundo no qual implementos agrícolas viajam de helicóptero.
ÁUDIO
fonte: VIOMUNDO

 

 VÍDEO

Cardoso avisa Aécio sobre o propinão tucano nos trens: "A época dos engavetadores gerais já acabou"


O Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, rebateu a tentativa da cúpula tucana, encabeçada pelo senador Aécio Neves, de dar o golpe do dossiê para engavetar as investigações sobre o propinão tucano nos trens do Alckmin, dizendo que "A época dos engavetadores gerais já acabou".

Horas antes, Aécio convocou entrevista para, com suporte da TV Globo, tentar inverter os fatos e chamar as investigações sobre o propinão da Siemens e da Alstom à tucanos paulistas de "dossiê político", para desqualificar as investigações.
Leonardo Lucena - Minas 247 – A Polícia Federal realizou na segunda-feira 26 uma das maiores apreensões de cocaína de sua história, ao flagrar nada menos que 450 quilos de cocaína na carga de um helicóptero pilotado pelo assessor parlamentar Rogério Almeida Antunes. O que já seria uma notícia de destaque ganhou mais ênfase pelo fato de o aparelho pertencer à empresa agropecuária do deputado estadual Gustavo Perrela, do partido Solidariedade, de Minas Gerais. Outro componente bombástico está na informação de que Gustavo é filho e protegido político do senador Zezé Perrela (PDT-MG), ex-presidente e sempre manda-chuva no Esporte Clube Cruzeiro, clube que acaba de se sagrar campeão brasileiro de futebol.
Qualquer manual de jornalismo explica que um caso como esse deve, necessariamente, ganhar um grande destaque em qualquer veículo de comunicação que se preze. Nele estão reunidos todos os elementos de uma história de repercussão. Tanto mais pelo histórico de suspeitas e denúncias que cercam a vida dos Perrela, especialmente do senador Zezé. No entanto, o chamado principal veículo de comunicação do País, o Jornal Nacional, da Rede Globo, não divulgou, em sua edição da mesma segunda 26, poucas horas, portanto, depois da divulgação da apreensão, nenhum segundo a respeito do fato. Uma notícia quentíssima virou, ali, uma não notícia.
O jornal O Globo, também da família Marinho, fugiu da história. E o jornal Folha de S. Paulo, da família Frias, que já usou muita tinta para histórias de menor repercussão, noticiou o caso com cuidado e discrição, protegendo nomes e históricos. Perderam os espectadores e leitores, mas, principalmente, perderam esses veículos, cujos critérios de seleção de notícias ferem cada vez mais os interesses do público.
O espanto pelo boicote ao fato é maior ainda quando se verifica o currículo dos Perrela. O deputado Gustavo, que a princípio procurou se afastar de seu piloto, na verdade o havia nomeado assessor na Assembleia Legislativa de Minas. Um cargo de confiança. Prometeu, para hoje, a exoneração de dele, mas, até o início da tarde, nada ocorrera oficialmente.
Quanto ao pai de Gustavo, o conhecido Zezé Perrela, as polêmicas vão ainda mais longe. Em 2011, quando el era suplente do então senador Itamar Franco, o Ministério Público de Minas Gerais deu início a investigações para desvendar como o parlamentar comprou uma fazenda avaliada em cerca de R$ 60 milhões no município de Morada da Minas (vídeo abaixo). A suspeita é a de enriquecimento ilícito.

Em torno de sua gestão na presidência do Cruzeiro, Zezé ainda deve importantes explicações. A venda do zagueiro Luisão, em 2003, levou a PF a indiciar o parlamentar pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, em 2010. O zagueiro teria sido negociado por US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 4,8 milhões) com o empresário Juan Figger. Segundo a PF, um time uruguaio, o Central Espanhol Futebol Clube, teria sido usado pelo empresário como uma espécie de "laranja" para a venda do jogador, que teria ido para o Benfica, de Portugal, por US$ 1 milhão a menos do que o informado no Brasil. O objetivo desta negociação seria a não declaração de dinheiro ao Fisco. O clube uruguaio teria negociado 50% dos direitos do jogador ao Benfica. Por sua vez, Zezé Perrela negou as acusações e disse que vendeu 100% dos direitos de Luisão ao empresário pelo valor de R$ 4,8 milhões.
Em 2011, quando Zezé Perrella já era senador, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Minas Gerais abriu investigação sobre o uso de verba indenizatória da Assembleia de Minas para abastecer os seus jatinhos particulares. Perrela teria apresentado, em um ano e meio, 29 notas fiscais que somavam R$ 26,3 mil para justificar o abastecimento dos aviões. As notas teriam sido ressarcidas pelo Legislativo mineiro.
Apesar das denúncias, o parlamentar informou que não se sentia constrangido as abastecer seus aviões com dinheiro público, uma vez que, segundo ele, as viagens tinham como finalidade o cumprimento da sua agenda parlamentar.
Ok, pode ser que os Perrela tenham todas as justificativas do mundo para a polêmica trajetória de enriquecimento da família. Mas isso também não é notícia?
fonte: brasil 247

Lula fala sobre política e governo em curso para prefeitos e vereadores do PT - PENA QUE O DE SOBRAL NÃO SIGA O QUE ELE DIZ

Lula fala sobre política e governo em curso para prefeitos e vereadores do PT - parte 1 

 Lula fala sobre política e governo em curso para prefeitos e vereadores do PT - parte 2


terça-feira, 26 de novembro de 2013


Barco afundando! PDT abandona Alckmin e se alia ao PT de Padilha


Ex-ministro Carlos Lupi assume diretório do partido no estado de São Paulo, se aproxima de Padilha e afirma que ‘não vai pegar leve’ com Alckmin, afundado na corrupção tucana do cartel e propinas no transporte por trilhos
No momento em que negocia nacionalmente o apoio do PDT para a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT),  ou ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), o ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi, decretou o rompimento do partido, em São Paulo, com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e a aproximação com o PT no Estado.
"Não vamos pegar leve com o Geraldo. O PDT está indo para a oposição clara e nítida ao governador", disse ele ao Estado. Com a saída de Paulinho da Força do partido para fundar o Solidariedade no fim de setembro, Lupi, que é presidente nacional do PDT, assumiu também o comando da sigla em São Paulo.
Na última quinta-feira, 21, ele reuniu a nova executiva estadual trabalhista para inaugurar a nova sede do PDT e dar início ao processo de transição. "O acordo do PDT com o Alckmin foi feito pela figura do Paulinho (deputado Paulo Pereira da Silva) como presidente da Força (Sindical)", explicou.
Questionado sobre a aproximação com os petistas, que devem lançar o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo de São Paulo, Lupi afirmou que pretende contar com um nome próprio na campanha, mas deixou uma porta aberta: "O PT não é nosso adversário, pelo contrário. O caminho natural é uma aliança com eles no segundo turno".
O ex-ministro afirma, ainda, que os dois partidos terão o mesmo foco na campanha: atacar a gestão Alckmin. "O lançamento da candidatura do deputado Major Olímpio ao governo foi para demonstrar claramente esse rompimento com o Alckmin. Nossa bandeira será um tema no qual o governo dele é muito frágil: a segurança pública. Segundo pesquisas que fizemos, esse é o ponto mais fraco dos tucanos".
Abandono
Durante o evento da semana passada, a gestão de Paulinho da Força à frente do PDT paulista foi duramente criticada. "O partido estava em uma situação próxima ao caos. Estava abandonado", disse ele.
"A direção não estava zelando nem pelo patrimônio. Quando o Brizola convidou o Paulinho para entrar no partido, em 2002, ele dizia que o trabalhismo precisa ter um braço sindical organizado. Ao longo dos anos, porém, foi o PDT que virou o braço partidário da Força. Isso deformou o partido no Estado".
Sobre a posição a ser adotada pelo partido em 2014, o dirigente afirma que existe uma tendência de aproximação com a presidente Dilma Rousseff, mas deixa o caminho aberto também para Eduardo Campos (PSB). "Não existe alinhamento automático na política. Tenho um diálogo permanente com o governador Eduardo Campos e o PSB tem diálogo histórico com o PDT. Na política, quem descarta hipóteses se isola, e nós não queremos ficar no isolamento."
Em 2011, Lupi deixou o governo Dilma após denúncias de irregularidade na pasta. Apesar disso, o ministério continuou na "cota" do PDT.
Com a saída de Paulinho da Força, o partido perdeu totalmente a influência que tinha na Força Sindical e, também, os cargos que tinha no governo paulista . Na nova direção do PDT paulista não há nenhum remanescente do grupo anterior.
*Com informações do jornal "O Estado de S.Paulo"

Cardozo rebate Aécio e diz que época do engavetador-geral acabou

Ministro da Justiça diz que não há uso político da Polícia Federal nas denúncias de corrupção em São Paulo e diz que senador sofre de desconhecimento jurídico ao pedir sua demissão
por Redação RBA publicado 26/11/2013 19:39, última modificação 26/11/2013 19:41
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Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Cardozo afirmou que Aécio comete um equívoco jurídico ao dizer que o ministro não pode chefiar investigações
São Paulo – O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reagiu às acusações proferidas pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmando que respeita a autonomia dos órgãos de investigação. Horas após o presidenciável tucano cobrar a demissão de Cardozo, ele convocou entrevista coletiva na qual alfinetou o PSDB.
“Imaginar que o ministro da Justiça receba um documento como estes e deve reunir seus assessores para rasgá-lo na frente de todos é imaginar que ainda estamos numa época em que existem engavetadores gerais. A época dos engavetadores gerais de denúncias no Brasil acabou há alguns anos, e eu me recuso a ser um engavetador”, disse, em referência a um dos procuradores-gerais da República do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), Geraldo Brindeiro, que ficou conhecido como engavetador-geral da República devido ao arquivamento de denúncias que envolviam o PSDB.
Cardozo iniciou a conversa com jornalistas explicando que as denúncias sobre o esquema de corrupção no Metrô de São Paulo, estado governado há quase duas décadas por tucanos, foram entregues a ele em maio pelo secretário de Serviços da prefeitura da capital paulista, Simão Pedro. O encontro foi na casa do ministro, também em São Paulo, em um domingo. “Não há nenhuma ilegalidade. Onde a autoridade pública estiver, ela pode ser instada. E foi. Não há nada de sombrio nisso. Não vejo por que possa haver qualquer mácula nesse procedimento”, argumentou. “Qualquer coisa, com um mínimo de plausibilidade ou consistência que eu receba, encaminho para a Polícia Federal. Não será o primeiro, não será o último. Pode envolver meu partido, pode envolver outros partidos, pode envolver pessoas da minha família.”
O documento, apócrifo, apresentava planilhas e nomes dos envolvidos no cartel de empresas formado para dominar concorrências na entrega de trens e equipamentos à autarquia, e se somou a outras investigações em curso na Polícia Federal e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), ambos subordinados ao Ministério da Justiça. Ao Cade, o caso chegou graças a executivos da alemã Siemens, que participou do conluio e decidiu recorrer a um acordo de leniência, pelo qual pode se livrar de penas em troca de informações sobre o esquema.
“Quero lamentar a tentativa de transformar uma investigação séria, feita administrativamente pelo Cade, e no plano policial pela Polícia Federal, em uma disputa política, em uma disputa eleitoral. Aqui não tem nada de eleições, aqui não tem nada de disputa política. O que existe é uma investigação”, afirmou Cardozo. Ele recordou que o esquema vigente em São Paulo é investigado também no exterior, onde houve inclusive condenações, e que o fato de ter partido da Siemens a iniciativa de procurar o Cade deslegitima a tentativa de associar a denúncia a um interesse eleitoral do PT.
Esta semana foi divulgada a informação de que os documentos continham denúncia atribuída ao ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer. Ele delatava a existência do esquema durante as gestões tucanas de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, com objetivo principal de desviar recursos para as campanhas eleitorais do PSDB e do DEM. Além disso, citava o secretário da Casa Civil de Alckmin, Edson Aparecido, como receptor da propina encaminhada pelo lobista Arthur Teixeira. Outros três secretários do governador são citados como pessoas próximas a Teixeira: José Aníbal (Energia), Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos) e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico), do DEM, além do senador Aloysio Nunes (SP).
Nunes, Aníbal, Aparecido e Aécio convocaram a imprensa para classificar como falso o documento recebido pela Polícia Federal. A postura repete a de Alckmin, que vem dizendo que processará a Siemens e os responsáveis por delatar o esquema. Os tucanos dizem que a Procuradoria-Geral da República deve investigar quem é o responsável pela falsificação dos papéis que levaram à investigação do conluio e querem que todos os contratos da multinacional alemã com órgãos públicos sejam vistoriados pela PF.
Além disso, o PSDB deseja convocar Cardozo ao Congresso na tentativa de questioná-lo sobre o encaminhamento das denúncias de Simão Pedro, além de apresentar pedido de investigação junto ao Conselho de Ética Pública da Presidência da República. Na entrevista, Aécio chegou a pedir a demissão do ministro. "Acho que ele perdeu as condições de ser o coordenador dessas investigações como ministro da Justiça, pelo açodamento e omissão nesse processo", disse Aécio.
Cardozo rebateu: "O presidente do PSDB disse que o ministro da Justiça não tem condições de coordenar e chefiar as investigações. Quem faz isso é o delegado de policia. Há um ligeiro equívoco jurídico, meu poder se limita a pedir investigação que é feita com absoluta autonomia. Não consigo entender o senador Aécio Neves.” Em seguida, ele afirmou que o Cade e a Polícia Federal não cederão a pressões. “Aqueles que não têm visão republicana do Estado e acham que denúncias têm que ser rasgadas e não investigadas, talvez algum dia percebam que uma republica não se constrói vendo as pessoas diferentes pela sua cor política."