Najla Passos: Bola de cristal de Paulo Coelho se espatifou na Copa
publicado em 29 de junho de 2014 às 16:28
No livro do mago, deu Suiça
27/06/2014 – Copyleft
As 13 previsões mais catastróficas, e furadas, sobre a Copa no Brasil
É hora de relembrar, com algumas boas gargalhadas, as previsões mais
pessimistas e catastróficas feitas por cartomantes de plantão que
previram o caos.
Najla Passos, na Carta Maior
A Copa do Mundo não resolveu e não irá resolver todos os problemas do
país. Aliás, nem é esta a função de um evento esportivo privado. Mas
que o mundial atrai turismo e investimentos externos, não há mais
dúvidas. Como também não há nenhuma de que ele mexe com autoestima de um
país incentivado durante séculos a cultivar um inapropriado “complexo
de vira-latas”!
Por isso, agora que o sucesso do evento já é reconhecido em todo o
mundo, que o país já provou que pode ser organizar uma bela copa e que
os turistas e os investimentos estrangeiros continuam chegando, é hora
de dar boas gargalhadas com previsões mais pessimistas feitas pelas
cartomantes de plantão que tanto torceram contra a realização do
mundial.
Das adivinhações às avessas do mago Paulo Coelho à mudança de planos
da cineasta que fez sucesso afirmando que não viria ao Brasil, dos
prejuízos contabilizados pelo tucanato ao delírio do protesto do
chuveiro no “modo quentão”, do mau-humor da imprensa estrangeira à
campanha permanente da Veja, confira as 13 previsões mais catastróficas –
e furadas – sobre a Copa do Mundo no Brasil!
1 – O mago Paulo Coelho: “A barra vai pesar na Copa do Mundo”
Em entrevista à revista
Época, publicada em 5/4/2014, o
mago, guru e escritor Paulo Coelho, que mora na Suíça, disse que não
viria ao Brasil assistir aos jogos da Copa do Mundo nos estádios, apesar
de ter sido presenteado com os ingressos pela FIFA. “A barra vai pesar
na Copa. A Copa será um foco de manifestações justas por um Brasil
melhor. Os protestos vão explodir durante os jogos porque vai haver mais
gente fora do que dentro dos estádios”, afirmou.
O Mago, que “previra” que o Brasil ia ganhar a Copa das
Confederações, evita arriscar o resultado para o mundial. E apresenta
certezas já desconstruídas pela realidade, como a de que o Brasil
deveria disputar a final com a Espanha, eliminada na 1ª fase: “Agora não
sei. Certamente o Brasil irá à final com a Alemanha ou a Espanha, duas
seleções fortíssimas nesta Copa. A Argentina não. A Suíça vai
surpreender. Eu ousaria dizer que a Suíça vai para as quartas. No
futebol, você tem que ser otimista, não tem outra escolha. O Brasil tem
chances de não ganhar”.
2 – Arnaldo Jabor: “A Copa vai revelar ao mundo a nossa incompetência”
No dia 6/6/2014, às vésperas da abertura da Copa, o cineasta Arnaldo
Jabor, emcomentário para a Rádio CBN, ainda insistia no pessimismo em
relação à Copa, com o objetivo claro de influir no processo eleitoral de
outubro. “Nós estamos jogando fora a imensa sorte que temos, por causa
de dogmas vergonhosos que não existem mais. Estamos antes do Muro de
Berlim e a Copa do Mundo vai revelar ao mundo a nossa incompetência”,
afirmou.
3 – Veja: “Por critérios matemáticos, os estádios da Copa não ficarão prontos a tempo”
Em 25/5/2011, a Veja previu o fracasso da Copa do Mundo no Brasil. E
com a ajuda da matemática, uma ciência que se diz exata desde tempos
imemoriais. Na capa, a data da logo do mundial era substituída por 2038.
O intertítulo explicava: “Por critérios matemáticos, os estádios da
Copa não ficarão prontos a tempo”.
De lá para cá, foram muitas outras
matérias, reportagens e artigos anunciando o fracasso do mundial.
E mesmo com o início dos jogos, com estádios prontos e infraestrutura
à altura do desafio, a revista estampou, na edição desta semana, uma
nova catástrofe iminente: “Só alegria até agora – Um festival de gols no
gramado, menos pessimismo nas pesquisas, mais consumo, visitantes em
festa e o melhor é aproveitar, pois legado duradouro, esqueça”.
Melhor
mesmo é torcer para que, quem sabe até 2038, a Veja aprenda a fazer
jornalismo!
4 – Cineasta brasileira radicada nos EUA: “Não, eu não vou para a Copa do Mundo”
Em junho de 2013, a cineasta brasileira Carla Dauden, radicada em Los
Angeles, nos Estados Unidos, fez sucesso na internet com o vídeo “No,
I’m Not Going to the World Cup” (“Não, eu não vou para a Copa do
Mundo”), que alcançou quatro milhões de curtidas. Mas antes mesmo da
bola começar a rolar nos gramados brasileiros, a ativista já era vista
circulando pelo país.
No Twitter, ela justificou a abrupta mudança de planos: “Não vim para
ver a Copa, vim para falar dela. A Copa nunca vai ser a mesma para os
brasileiros. As pessoas não vão se esquecer do que acontecerá por aqui”,
diagnosticou, antes da abertura. A frase, de fato, parece fazer
sentido. Mas por motivos opostos do que aqueles que a ativista advoga!
5 – Protesto do chuveiro no “modo quentão” vai causar apagão!
Até bem pouco tempo antes do início da Copa, eram muitos os setores
que insistiam no risco iminente de blackout no país, da oposição à
imprensa monopolista. Um grupo de internautas, porém, levou as ameaças
infundadas a sério e decidiu criar uma página no Facebook destinada a
acelerar o caos: usar os jogos da Copa para provocar um apagão
generalizado no Brasil e, assim, boicotar a realização do evento.
A estratégia definida foi a utilização sincronizada dos chuveiros no
“modo quentão”. “Chuveiros devem ser ligados na hora dos hinos nos
jogos. A carga elétrica anormal derrubará a energia em bairros, cidades,
regiões, estados e o país inteiro, em efeito dominó. Acompanhem os
hinos por rádio, para maior garantia de sincronização”, diz a descrição
do evento que conquistou pouco mais de 4,5 mil curtidas.
Dado o
fracasso do evento, a página agora é utilizada para a troca de memes
contra o PT, a esquerda e as pautas sociais e progressistas!
6 – Marília Ruiz: “Vai ser um vexame. Um vexame!”
No dia 26/1/2014, a TerraTV publicou um comentário da jornalista
esportiva Marília Ruiz em que ela previa que, se o Brasil conseguisse
realizar a Copa, já seria uma grande vitória. A antenada comentarista
até admitia que os estádios ficariam prontos. Mas sem qualidade: “Se eu
sentaria o meu corpinho numa cadeira recém colocada, com um parafuso a
menos? Eu não sei”.
Do alto de sua experiência em cobertura de outras
copas e de um etnocentrismo latente, ela também alertava que, mesmo
fazendo sua Copa após a da África, o país passaria vergonha.
“Eu achei que a gente ia passar vergonha, que nós, brasileiros, que o
país ia passar vergonha. Aí eu pensei, é até um alento porque a Copa do
Brasil vai ser depois da Copa da África: ninguém vai lembrar muito como
foi na Alemanha. Muito menos as pessoas vão lembrar como foi no Japão e
na Coreia. E eu posso dizer porque estive lá. É uma vergonha ao
cubo!”
Confira o comentário completo e saiba quem é que está passando
vergonha!
7 – Álvaro Dias: “O país ficará com mais prejuízo do que lucro”
De todas as aves de mau agouro que bravatearam contra a realização da
Copa no Brasil, o tucano Álvaro Dias, senador pelo PSDB, foi uma das
mais barulhentas. Previu que o governo amargaria um prejuízo de mais de
R$ 10 bilhões com a realização do evento, que os turistas não
apareceriam, que os aeroportos não ficariam prontos e não dariam conta
do fluxo de passageiros.
“O legado da copa do mundo me parece ser um grande fracasso. O país
ficará com mais prejuízo do que lucro”, disse ele em entrevista à TV
Senado, publicada no Youtube em 7/8/2013. Agora que os turistas
chegaram, os investimentos estrangeiros entraram e o país tá fazendo
bonito em mobilidade e infraestrutura, o senador desapareceu por
completo do noticiário. Não se sabe se está esperando o evento acabar
para profetizar outro apocalipse ou aproveitando as férias para curtir
os jogos, como fez durante a Copa das Confederações!
8 – Ex-presidente FHC: “A Copa do Mundo como símbolo de desperdício”
Em artigo publicado no norte-americano The Wold Post, em 21/1/2014, o
ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso se referiu à Copa como
símbolo do desperdício de dinheiro público. Tal como seu companheiro
Álvaro Dias, perdeu a chance de ficar calado. Segundo a Fipe, só a Copa
das Confederações rendeu R$ 9,7 bilhões ao PIB brasileiro. A projeção
de retorno da Copa é de R$ 30 bilhões. A Apex-Brasil, aproveitando a
Copa do Mundo, trouxe ao Braisil mais de 2,3 mil empresários
estrangeiros, de 104 países. A agência estima trazer US$ 6 bilhões em
negócios para o Brasil.
9 – Redação Sport TV: do fracasso ao espírito de porco!
No Programa Redação Sport TV de 22/1/2014, o apresentador deu sonoras
gargalhadas ao exibir a foto de um estádio da copa ainda sem gramado e
fazer previsões catastróficas sobre o evento. Na edição de 26/6/2014, o
tom mudou completamente: um outro apresentador mostrou como a imprensa
internacional elogiava o evento e ouviu do entrevistado Ruy Castro: “A
nossa imprensa foi rigorosamente espírito de porco antes do evento
começar”.
Confira o vídeo com os dois momentos e os dois humores do
Sport TV
10 – Governo alemão: “O Brasil é um país de alto risco”
Há seis semanas do início da Copa, o Ministério de Assuntos
Exteriores da Alemanha divulgou um relatório pintando uma imagem
desoladora do Brasil, descrito como um país ode as leis não são
respeitadas e o turista corre o risco de ser roubado, sequestrado e se
envolver em conflitos entre policiais e criminosos. O documento listava
uma série de cuidados que os gringos deveriam tomar, incluindo atenção
redobrada com as prostitutas, apontadas como membros e organizações
criminosas, e vigilância contínua com os copos, para não serem vítimas
de um “Boa noite, Cinderela”.
Pelo documento, até mesmo a seleção alemã estaria em perigo em terras
tupiniquins. E não apenas dentro de campo. “Arrastões e delitos
violentos não estão descartados, lamentavelmente, em nenhuma parte do
Brasil. Grandes cidades como Belém, Recife, Salvador, Fortaleza, Rio de
Janeiro e São Paulo oferecem altas taxas de criminalidade”,
ressaltava.
O Ministério ainda não divulgou relatórios sobre o número
de alemães que vieram ao Brasil e o que estão achando da experiência.
Mas quem circula pelas ruas brasileiras, repletas de gringos felizes e
sorridentes, já sabe!
11 – Der Spiegel: “Justamente no país do futebol, a copa poderá ser um fracasso”
Um dos principais semanários da Europa, a revista alemã estampou, um
mês antes do início da Copa, a manchete “Morte e Jogos”, destacando que,
justamente no país do futebol, a Copa poderia ser um fiasco, por causa
dos protestos, da violência nas ruas, dos problemas do transporte
coletivo, dos aeroportos e dos estádios. Praticamente um alerta vermelho
recomendando que os europeus não viessem ao Brasil.
Mas os turistas
vieram e estão adorando.
A imprensa estrangeira também: o jornal norte-americano The New York Times, fala em “imenso sucesso”.
O francês
Le Monde, em “milagre brasileiro”. O espanhol
El País diz “não era pra tanto” para as previsões catastróficas.
A revista inglesa
The Economist, remenda que “as
expectativas, que eram baixas, foram superadas”. A própria Der Espiegel,
na edição desta semana, dá destaque para a animação da torcida e admite
que os protestos em massa ainda não aconteceram.
12 – Ronaldo, o fenômeno: “Da vergonha à constatação de que a Copa é um sonho”
Na véspera do início do mundial, o ex-atacante Ronaldo se disse
envergonhado com os atrasos das obras da Copa. Mas, membro do Comitê
Organizador Local da FIFA que é, defendeu a entidade e culpou o governo
Dilma por todos os problemas. “É uma pena. Eu me sinto envergonhado
porque é o meu país, o país que eu amo. A gente não podia estar passando
essa imagem”, disse à Agência Reuters o cabo eleitoral e amigo do
senador Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência.
Agora, consolidado o sucesso do evento, tenta mudar o discurso. Em
coletiva nesta quinta (26), procurou se justificar. “Não critiquei a
organização da Copa, até porque eu faço parte dela. Disse que poderia
ser muito melhor se todas as obras de mobilidade urbana tivessem sido
entregues”, remendou. ”Vivíamos um clima muito tenso, com a população
muito descontente. Começou a Copa, e agora estamos vivendo um sonho”,
concluiu.
13 – O vira vira lobisomem de Ney Matogrosso
De passagem por Lisboa, em 11/5, Ney Matogrosso resolveu usar a Copa
para criticar duramente a política brasileira na TV ATP. Só esqueceu de
estudar, primeiro, os argumentos. “Se existia tanto dinheiro disponível
para gastar com a Copa, por que não resolver os problemas do nosso
país?”, disse ele, desconhecendo que, desde 2010, quando começaram os
preparativos para a Copa, o governo já investiu R$ 850 bilhões em saúde e
educação, enquanto os investimentos totais no mundial – incluindo
federais, locais e privados – atingem R$ 25,6 bilhões.
Foi ácido quanto à construção dos estádios que, segundo ele, irão
virar “elefantes brancos” e não serão usados para mais nada. Embolou
dados, números e fatos em vários argumentos. Acabou sustentando uma
visão preconceituosa sobre as classes populares. Questionado se há uma
maior consciência dos pobres em exigir seus direitos, concordou: “O
escândalo é tamanho que até essas pessoas param para refletir”.