quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Paulo Moreira Leite: Caso Azeredo é momento decisivo no julgamento desigual de iguais

publicado em 20 de fevereiro de 2014 às 22:01

Benefício solicitado por Azeredo mostra como foi errado julgar Dirceu, Delúbio e tantos outros na mais alta corte do país
por Paulo Moreira Leite, em seu blog
A renúncia de Eduardo Azeredo pode ser examinada de duas formas. A primeira é técnica. A segunda, política.
Visto pelo angulo técnico, Azeredo tem todo direito de renunciar ao mandato e, como cidadão comum, igual a você e eu, pleitear sua transferência para a Vara de Justiça de Belo Horizonte onde estão sendo julgados outros réus do mensalão PSDB-MG.
Com isso, seu caso entra numa longa fila de provas, testemunhas e denúncias que ira prolongar-se por alguns anos.
Pelo angulo político, deveria ocorrer o contrário. Enquadrado como “exemplo,” como “símbolo” da luta contra impunidade, Eduardo Azeredo deveria ser mantido no STF. Julgado pelas intenções, é fácil dizer que ele pretende, apenas, encontrar um atalho para ganhar tempo. Este é o debate em curso no STF hoje.
Escrevi um livro onde argumento que o julgamento da AP 470 foi um processo político, com vários elementos de um espetáculo televisivo, que criminalizou a democracia e seus principais atores, que são os políticos.
Estou convencido de que a Teoria do Domínio do Fato foi uma improvisação para se obter penas fortes a partir de provas fracas. Concordo com a visão de que as penas foram agravadas – artificialmente – apenas para permitir longas sentenças de prisão, em regime fechado. Já denunciei que, levados à prisão, vários condenados têm sido submetidos a um tratamento inadequado, e vexaminoso, apenas por “razões políticas.”
José Genoíno deveria ter sido retirado da cadeia definitivamente depois do primeiro exame médico. José Dirceu tem direito a regime semiaberto e não poderia estar trancafiado há mais de 90 dias. Por aí vai.
É claro que o debate técnico, no caso de Azeredo, deve prevalecer sobre o político. Pode ser deprimente verificar que o ex-governador tucano pode ter seus direitos respeitados, enquanto outros políticos, ligados ao governo Lula, sofrem abusos e chegam a ser humilhados.
A verdade, no entanto, é que não se pode defender bons princípios apenas quando convém as nossas opiniões políticas.
A Justiça não se faz através da vingança nem da retaliação. O lugar para se defender uma visão de mundo é a política e não a Justiça. Quem não compreendeu isso apenas alimenta a judicialização, que é política dos que não têm voto.
A situação de Azeredo, hoje, é assim. Muitos juízes sabem que como ex-deputado ele tem direito a ser julgado em primeira instância. Não há argumento legal capaz de sustentar o contrário — só técnicas para adivinhar o pensamento, que não estão previstas pela Constituição, ecoisas assim.
Mas serão pressionados a votar contra essa convicção em nome do “espetáculo.” Sabe como é. Depois de produzir um tremendo show contra os réus da AP 470, pode ser inconveniente ceder diante do primeiro “poderoso” que é adversário do PT.
Inconveniente, sim. Mas talvez necessário.
Estamos falando de Justiça e não de teatro.
O erro de 9 entre os 11 ministros do STF foi cometido em agosto de 2012. Naquele momento, eles resolveram julgar réus sem direito ao foro privilegiado, tarefa que não é autorizada pela Constituição, como explica o professor Dalmo Dallari, e que se ainda mais complicada depois que eles já tinham desmembrado o julgamento do mensalão PSDB-MG.
Foi ali que se definiram caminhos diferentes para casos iguais. O resto é consequência.
A farsa de que se pretendia punir os poderosos no maior julgamento, do maior escândalo, foi construída em agosto de 2012 e não será alterada por uma decisão em 2014. Não será “corrigida” pela repetição de um erro. Não haverá “justiça” se houver “menos” justiça.
Pelo contrário. Uma decisão correta, agora, pode abrir caminho para uma revisão de erros do passado. Terá o valor de uma autocrítica e não é por outro motivo, aliás, que assusta tantos campeões da AP 470. Sua técnica não é a defesa da boa lei, mas da boa aparência, aquela que mantém a sujeira embaixo do tapete.
Caso Eduardo Azeredo venha a receber um benefício negado a maioria dos réus em sua condição – só três dos 37 acusados da AP 470 deveriam ter sido julgados no STF – ficará claro que há muito para ser debatido no julgamento.
A repetição de um erro só tornará mais difícil corrigir outros erros.
É só lembrar que, se tivessem sido julgados pelos mesmo critérios, Dirceu, Genoino, Delúbio, ainda estariam aguardando pela sentença em primeira instancia. Não estariam na Papuda, nem teriam de enfrentar aquelas decisões que levaram um dos maiores juristas brasileiros, Celso Bandeira de Mello, a definir Joaquim Barbosa como um “homem mau.”
É isso que deve ser discutido.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

PTdo B de Sobral e seu "candidato"

A BOA SAPATO
A fim de que a legenda seja bem votada em Sobral, Sapateiro Lopes já esta buscando apoios na região norte do Ceará. No último Sábado, 15/02, Sapateiro Lopes esteve reunido com alguns líderes do PTdoB em Sobral, para que juntos possam visitar toda a zona norte em pró de fortalecer seu nome para o ano de 2014. Sapateiro Lopes terá o apoio do Deputado Estadual Paulo Facó,  que será candidato para a Câmara Federal em 2014. Sendo assim Sapateiro terá um grande apoio em 2014.
(Da Assessoria do PTdoB de Sobral).

CID GOMES NÃO ESTÁ NEM AÍ PARA SOBRAL, SEGURANÇA E ÁGUA POLUÍDA NÃO É COM SEU GRUPO POLÍTICO, VERGONHA!



 

Águas do Jaibaras está contaminada e impropria até para o banho

Os vereadores de Sobral, discutiram na sessão de segunda-feira, a situação de dois importantes reservatórios, da cidade, Açude Ayres de Souza (Jaibaras) e açude do distrito de Aracatiaçu. Através de laudos, o vereador Gilmar Bastos, ocupou espaço na tribuna, e informou que a qualidade da água dos dois reservatórios, estão imprópria para o consumo humano e para o asseio corporal. Outra denúncia feita pelo vereador do Pros, Gilmar Bastos, está relacionado a uma obra que nunca foi concluída, e que possivelmente a construtora recebeu todo recurso, a da construção de uma adutora e obras de saneamento. Estimada em R$ 8 milhões. Gilmar Bastos, deverá solicitar investigação para saber para onde foi os recursos que deveria ter sido aplicada na obra do Jaibaras. Gilmar Bastos, passeou de canoa na companhia dos vereadores Fredim (PV) e Cristianne Coelho (PT). 
 fonte: blog do wilson gomes
A veredora Franquinha do Torto, o vereador Carlos do Calisto, Gegê Romão e Kaká Linhares também acompanharam a visita que aconteceu na manhã de segunda-feira.

Tem pesquisa, sábado. E a pergunta: você prefere ditadura ou democracia? É a boca torta da Folha.

18 de fevereiro de 2014 | 00:06 Autor: Fernando Brito
democradura1
Demorou mais do que a chuva no Sudeste, mas finalmente o Datafolha registrou no TSE uma pesquisa eleitoral em todo o Brasil.
O eleitoral é o de sempre: A disputa para valer, entre Dilma, Aécio e Eduardo campos e as especulações com Lula, Marina e Joaquim Barbosa candidatos.
Mas o mais interessante são as perguntas que vem depois da opção eleitoral.
Vá seguindo, na ordem:
Você é a favor ou contra a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil?
Você é a favor ou contra os protestos que estão ocorrendo em várias cidades brasileiras desde junho do ano passado?
E você é a favor ou contra que ocorram protestos de rua DURANTE a Copa do Mundo que será realizada no Brasil?
Calma, vem mais, tem o momento Sheherazade:
A tortura é ou não aceitável “se for a única forma de obter provas e punir criminosos” ?
Movimentos sociais precisam ou não respeitar a lei e a ordem para reivindicar seus direitos?
Os direitos humanos devem ou não valer para criminosos?
Uma pausa para um momento Higienópolis, para saber do “voto diferenciado”:
Analfabeto pode votar?
Uma pitada de ameaça do totalitarismo comunista:
O melhor para a sociedade é que as pessoas sejam vigiadas ou não?
E agora, o penúltimo ato, o “que saudades da ditabranda”…
É melhor ou pior a democracia que a ditadura, ou tanto faz?
Há alguma chance de ocorrer uma nova ditadura no Brasil?
A Ditadura Militar que governou o país de 1964 a 1985 deixou mais realizações positivas do que realizações negativas para o Brasil ou deixou mais realizações negativas do que realizações positivas para o Brasil?
Você diria que os principais responsáveis pelos problemas econômicos e sociais que o Brasil enfrenta hoje são os governos militares ou os governos civis que vieram depois?
Mas não acabou. tem mais, e tem pior ainda.
Vai no próximo post, assim que o remédio de desembrulhar estômago fizer efeito. Lá, vai também o link para você conferir o questionário registrado no TSE e ver que eu não estou delirando.
fonte: TIJOLAÇO

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Atenção, blogueiros “sujos”. Época descobre que somos nós que inspiramos a “revolta das ruas”

14 de fevereiro de 2014 | 12:21 Autor: Fernando Brito
salvar
Interrompemos a nossa postagem normal para trazer ao conhecimento do distinto público a “notícia” sensacional de que somos nós, os “blogs sujos”, que inspiramos  a revolta contra os políticos, as instituições e, claro, a imprensa.
Fomos devidamente identificados pelo iluminado Diego Escosteguy, de Época.
Graças ao olhar atento do meu amigo Antonio Mello, posso trazer a vocês esta bombástica revelação.
Escosteguy diz que o rojão disparado contra o cinegrafista saiu de um discurso. Qual?
“É o discurso que, há meses, acendeu o rojão contra a democracia brasileira. Um discurso que define como vilões da nação a imprensa, os políticos e as demais instituições do Brasil. Um discurso que aparece nos gritos dos Black Blocs, mas que nasce e se propaga em blogs e sites governistas, financiados com dinheiro público com a missão de difamar a imprensa profissional. Os responsáveis por esses veículos, a pretexto de defender o pluralismo político, dedicam-se – sub-repticiamente e usando máscaras tão negras quanto às dos jovens que explodem rojões nas ruas – a achincalhar jornalistas, procuradores, políticos.”
Então fomos nós, blogueiros, quem colocamos a turma de depredadores semanas a fio na capa de revistas como a Época, Veja, Istoé…
Ou teria sido a sua revista que escreveu na capa que estava ali “a maior revolta popular da história da democracia brasileira”?
Fomos nós que estimulamos Arnaldo Jabor a saudar em rede nacional  estas manifestações violentas como “salvadoras do Brasil”.
Ah, devem ser os “governistas” que insuflaram os movimentos que – sob os aplausos de Escosteguy e da Época – abalaram a popularidade do Governo!
Não duvido do caráter masoquista da “mídia técnica” do Governo Federal, que pagou, só em 2011 e 2012, cerca de 300 milhões em publicidade para apanhar feito boi ladrão nas grandes revistas.
(O único anúncio deste blog ligado ao Governo Federal é veiculado gratuita e espontaneamente, pois se trata de uma campanha contra o crack, que orgulhosamente fazemos de graça, pelo que representa de bom, ao contrário da grande mídia, que cobra e muito caro por anúncio, mesmo os de utilidade pública. Aliás, se puder, clique no link Eu quero ajudar para abrir uma página que orienta sobre como contribuir para manter o blog )
Mas só pode, se não é ma-fé e hipocrisia, ser produto de alucinação dizer isso.
Aliás, muito mais honesto foi Rogério Gentile, da Folha – ele não é um blogueiro “sujo”, não é? – ao dizer que “artistas, políticos, intelectuais, publicitários e jornalistas foram condescendentes com depredações de prédios públicos, ataques a bancos, tentativas de linchamento de policiais etc., sempre partindo da premissa de que os vândalos estavam mudando o país“.
A grande mídia, senhor Escosteguy, deu todos os espaços do mundo para estes grupos, veiculou maciçamente suas imagens e torceu para que eles instalassem o caos nas ruas.
Depois, viu que tinha aberto a caixa de Pandora.
Quanto a desmoralizar políticos e instituições, quem faz isso com mais afinco senão eles próprios e as grandes revistas?
Por isso, quando for procurar os responsáveis por abrir as portas do inferno, quem sabe não seria bom ter um espelho por perto?
fonte: tijolaço


Dilma: Fazer casa é gerar emprego e dar um lar para cada brasileiro e brasileira

Em Manaus, Dilma entrega 5.384 unidades habitacionais. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Em Manaus, Dilma entrega 5.384 unidades habitacionais. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira (14), em Manaus, ao entregar 5.384 unidades habitacionais do Residencial Viver Melhor 2, que construir casas é uma das melhores maneiras de gerar e garantir que os brasileiros realizem o sonho de ter o próprio lar. O empreendimento inaugurado pela presidenta é o maior do Minha Casa Minha Vida e beneficiará cerca de 21 mil pessoas.
“A gente lá em 2009 estava em uma crise braba no mundo. Nós olhamos e falamos assim: para garantir o emprego no Brasil, nada melhor do que fazer casa. É gerar emprego, fazer casa é dar um lar para cada brasileiro e para cada brasileira. Aí quero dizer pra vocês que tenho muito orgulho de ter ajudado a construir esse programa, poque ele é assim (…) Muita gente agradece, e não tem de agradecer não. Porque esse dinheiro é dinheiro do povo brasileiro. De todo o povo brasileiro. E o dinheiro do povo brasileiro tem de voltar para onde? Para o povo brasileiro”.
Ao lembrar que o Minha Casa Minha Vida vai progressivamente aumentar o número de beneficiários, Dilma afirmou que ter um endereço é um direito de todo cidadão e que o lar é essencial para criar os filhos. A presidenta aproveitou a cerimônia para falar do orgulho que sente em ser cidadã amazonense.
“Antes de conquistar o título de presidenta da República, de primeira presidenta mulher, recebi um título muito honroso, que muito me orgulha, de cidadã amazonense. Recebi antes de ser presidenta. Vejam só vocês como isso é importante para mim. E quero dizer que tenho imenso orgulho de ser presidente desse país, entre outras coisas, porque eu sou presidenta do povo do Amazonas, presidenta da Amazônia e represento essa floresta imensa. Nenhum presidente desse país pode ser um presidente de fato sem ter isso”.
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Sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014 às 13:51   (Última atualização: 14/02/2014 às 14:06:05)

Em Manaus, Dilma anuncia mais R$ 420 milhões em mobilidade urbana para o Amazonas

Presidenta Dilma Rousseff posa para foto durante cerimônia de entrega de 5.384 unidades habitacionais do Residencial Viver Melhor 2. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Presidenta Dilma Rousseff posa para foto durante cerimônia de entrega de 5.384 unidades habitacionais do Residencial Viver Melhor 2. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff anunciou nesta sexta-feira (14) mais R$ 419,6 milhões para obras de mobilidade no Amazonas, valor que se soma ao R$ 1 bilhão que o governo já havia autorizado para mobilidade urbana no estado. Os novos recursos serão investidos na implantação de corredores de ônibus, em obras que serão realizadas pelo governo do Estado e pela prefeitura. Estes corredores darão maior fluidez ao trânsito e reduzirão o tempo que os moradores de Manaus hoje gastam para transitar pela cidade.
Deste total, R$ 207 milhões serão em recursos do orçamento do governo federal e R$ 212 milhões em financiamento, com 30 anos de prazo para pagamento, quatro anos de carência e juros de 5,5 % ao ano. Somente para a Prefeitura de Manaus serão destinados R$ 125 milhões para a implantação de 48 quilômetros de corredores, sendo R$ 59,9 milhões em recursos do orçamento da União e o restante em financiamento à prefeitura.
Com estes recursos serão implantados 4 grandes corredores. Um envolvendo as avenidas Constantino Nery, Torquato Tapajós, Max Teixeira e Noel Nutels; outro passando pelas avenidas Brasil, Coronel Teixeira e Boulevard Álvaro Maia; outro na Avenida Autaz Mirim e outro nas Avenidas Recife e Paraíba.
Para o estado do Amazonas foram autorizados R$ 294,5 milhões, sendo a metade em recursos do orçamento da União e metade em financiamento. Esses recursos viabilizarão a implantação de quase 20 quilômetros de corredores de ônibus, que serão os corredores Leste x Oeste/Complexo dos Franceses, que vai da Avenida das Flores até a Avenida Turismo, e o Colônia Antônio Aleixo/Bola do São José.
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Sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014 às 12:04  

Dilma Rousseff inaugura em Manaus o maior empreendimento do Minha Casa Minha Vida

A presidenta Dilma Rousseff entrega, nesta sexta-feira (14), em Manaus (AM), 5.384 unidades habitacionais do Residencial Viver Melhor 2, que integra o programa Minha Casa Minha Vida. O empreendimento beneficiará cerca de 21 mil pessoas com renda mensal familiar de até R$ 1,6 mil, e recebeu investimento total de R$ 313,39 milhões, com recursos do Fundo de Arrendamento Residencial.
Localizado no bairro Santa Etelvina, o empreendimento é composto por 4.736 apartamentos, com área privativa de 40,41m²; 488 casas térreas, com área privativa de 35,89 m²; e 160 casas adaptadas para portadores de necessidades especiais, com área privativa de 36,81 m²; todas divididas em dois quartos, sala, banheiro, cozinha e área de serviço externa.
Atendendo às exigências de qualidade do Minha Casa Minha Vida, o empreendimento é equipado com infraestrutura completa, pavimentação, redes de água, esgotamento sanitário, drenagem, energia elétrica e disponibilidade de acesso ao transporte público.
O entorno do empreendimento possui escola de tempo integral, escola de ensino médio, unidade básica de saúde, transporte, quadras de esporte, centro comunitário e parques infantis.

Notícias

“Foi a maior ascensão social coletiva que o Brasil já conheceu”, disse Lula ao jornal mineiro O Tempo

Presidente Lula e o então prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, em visita a Vila Cafezal (Belo Horizonte, MG, 21/06/2007) Presidente Lula e o então prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, em visita a Vila Cafezal (Belo Horizonte, MG, 21/06/2007)
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista ao jornal mineiro O Tempo. Lula viaja nesta sexta-feira (14) para Belo Horizonte, onde participa, ao lado de Fernando Pimentel, do lançamento da “Caravana da Participação: a gente quer o que é melhor pra você”.
Na entrevista, Lula falou sobre o ganho real dos trabalhadores nos últimos 12 anos, Copa do Mundo, recursos do Pré-Sal e o combate a pobreza. “conseguimos tirar 36 milhões de pessoas da miséria e levar 40 milhões para a classe média. Foi a maior ascensão social coletiva que o Brasil já conheceu”, disse.
Lula falou ainda sobre a realidade em Minas Gerais e a possibilidade de um governo do PT no estado, na eleição deste ano. “quase todas as obras importantes e as ações sociais que acontecem em Minas são com dinheiro do governo federal. Já era assim no meu governo e aumentou com o governo de uma mineira. Às vezes o Estado troca o nome dos programas, mas a maior parte do dinheiro continua sendo federal. Temos um ótimo pré-candidato, o ministro Fernando Pimentel, que está inclusive liderando as pesquisas”.
Leia abaixo a íntegra da entrevista:
‘Vamos trabalhar para que Pimentel tenha apoio do PMDB’
ISABELLA LACERDA
O petista, que está hoje em Belo Horizonte para o lançamento da pré-candidatura de Fernando Pimentel ao governo de Minas, afirma em exclusiva a O TEMPO que para ganhar a eleição é preciso mostrar as fragilidades do PSDB e não descarta ser candidato de novo.
O salário mínimo vem tendo ganho real nos últimos anos. O senhor, que foi um líder sindical atuante, acha que trabalhador tem condições de sobreviver atualmente com R$ 724?
Nós sabemos que o mínimo não é o sonho do trabalhador. Em 2002, o salário mínimo era de apenas R$ 200, e não chegava a US$ 100. De 2003 até hoje, já teve mais de 70% de aumento real. Chegou a R$ 724, que são cerca de US$ 300, e vai continuar crescendo nos próximos anos. O governo anterior dizia que era impossível aumentá-lo sem quebrar a Previdência Social. Demonstramos que isso era falso. Negociamos com as centrais sindicais uma política de valorização permanente do salário mínimo, que passou a ter aumento acima da inflação. Além de melhorar a vida dos trabalhadores, o aumento do salário mínimo amplia o consumo popular e fortalece o mercado interno, que é o esteio da nossa economia. E a Previdência não quebrou.
O senhor é a favor das manifestações de rua em curso no país desde junho de 2013? Como o governo deve tratá-las, considerando ser a Copa do Mundo o alvo de muito desses protestos?
O Brasil é uma democracia, e as manifestações pacíficas fazem parte da vida democrática. Na última década, a sociedade se mobilizou e obteve conquistas extraordinárias. A população descobriu que vale a pena manifestar-se, que isso ajuda o país a avançar. Quanto mais participativa a democracia, melhor. E os governos devem dialogar com os movimentos, atendendo o que for justo e possível. A violência, no entanto, é inaceitável. Quem recorre à violência, perde a razão e obriga o Estado democrático a agir para impedi-la. Uma Copa do Mundo traz muitos benefícios para o país que a realiza. É por isso que existe uma disputa tão grande para sediá-la. Além das vantagens esportivas, como a construção e reforma de estádios, a Copa aumenta o turismo, gera empregos, amplia a infraestrutura e melhora a mobilidade urbana. É natural que ocorram protestos, pois alguns grupos aproveitam a visibilidade do evento para divulgar as suas causas. Mas a imensa maioria do povo brasileiro está feliz com a realização do Mundial no Brasil e percebe os benefícios para o país e espera que seja um sucesso.
Por que a transposição do rio São Francisco ainda não foi concluída e a obra hoje encontra-se em muitos pontos abandonada? Foi um erro?
A transposição, que na verdade é uma integração de bacias, é uma obra fundamental para o Nordeste brasileiro. Um sonho da maioria dos Estados nordestinos desde os tempos de D. Pedro II. Ela vai promover uma revolução produtiva e social no semi-árido. Por isso, não hesitei em apoiá-la, mesmo sabendo que enfrentaria muitas incompreensões, sobretudo daqueles que não conhecem o sofrimento do sertanejo com a falta de água. E ela não está parada não. Há trechos praticamente concluídos e muitos que estão avançando. Alguns estão suspensos por decisões judiciais. Mas, com paciência e perseverança, todos os obstáculos serão vencidos.
Qual é o futuro político do senhor? Disputaria uma nova eleição ou poderia fazer parte de um novo governo da presidente Dilma?
Não deixei de ser um militante político porque saí da Presidência. A política é essencial na minha vida. Eu vou ser um ativista político até morrer, pois acredito que essa é a melhor maneira de mudar a sociedade, de combater as injustiças, a pobreza e a desigualdade. Eu já disse que não tenho vontade de disputar eleição novamente. Mas essas coisas não dependem só da vontade pessoal. De qualquer forma, é uma questão para o futuro, em 2014 a nossa candidata é a presidente Dilma. E acho que ela tem grandes chances de ganhar. Não pretendo ter nenhum cargo no segundo mandato de Dilma, quero continuar ajudando ela do meu jeito. Além do mais, no Instituto Lula estamos fazendo um trabalho de cooperação com a América Latina e a África que me entusiasma muito e que pretendo continuar.
Qual a maior virtude e o maior defeito da presidente Dilma Rousseff no comando do país?
A maior virtude é trabalhar duro e com muita competência. Tudo que ela pega, ela se empenha e resolve. Ela nunca larga uma tarefa pela metade. Acaba sendo um pouco mãe das coisas. E a população percebe isso, sente que o Brasil está nas mãos de quem sabe cuidar do país. O defeito dela é não ser corintiana.
Qual vai ser a estratégia do PT em Minas para vencer a hegemonia do senador e candidato tucano à Presidência, Aécio Neves? Haverá aliança com o PMDB?
O PT de Minas e os partidos aliados é que vão definir a nossa estratégia. Mas eu acho que devemos mostrar as limitações e fragilidades do governo tucano e o que pode melhorar com o PT. Na verdade, quase todas as obras importantes e as ações sociais que acontecem em Minas são com dinheiro do governo federal. Já era assim no meu governo e aumentou com o governo de uma mineira. Às vezes o Estado troca o nome dos programas, mas a maior parte do dinheiro continua sendo federal. Temos um ótimo pré-candidato, o ministro Fernando Pimentel, que está inclusive liderando as pesquisas, e vamos trabalhar para que ele seja apoiado pelo PMDB e por todos os partidos da base do governo federal. Tenho certeza de que o PT, como sempre, fará sua campanha dialogando em todo o Estado com os movimentos sociais, a juventude, a intelectualidade, o empresariado e os setores que desejam um novo rumo político e social para Minas.
O combate à pobreza e mais investimento na educação vão ter que esperar mais uma década?
O combate à pobreza e a melhoria da educação foram as maiores prioridades do meu governo e continuam sendo no da Presidenta Dilma. E isso muito antes do pré-sal. Basta dizer que, sem um tostão do pré-sal, só com recursos do Orçamento, conseguimos tirar 36 milhões de pessoas da miséria e levar 40 milhões para a classe média. Foi a maior ascensão social coletiva que o Brasil já conheceu, fruto de um conjunto de programas, principalmente do Bolsa Família, que foi premiado pela ONU como o melhor programa de combate à pobreza do mundo. A Dilma aprofundou esse trabalho, com o Brasil Sem Miséria. Sobre a educação, os números falam por si.
Nesses 11 anos, elevamos o orçamento do Ministério da Educação de 33 bilhões em 2003 para R$ 101,86 bilhões em 2013. Com isso, foi possível ampliar todas as universidades federais existentes, criar 17 novas universidades e espalhar 126 novos campi pelo interior do país. Em Minas Gerais, foram trës novas universidades: a Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), a Federal de Alfenas (Unifal) e a Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), além de três novos campi das universidades de Juiz de Fora e de Uberlândia. Criamos em uma década mais escolas técnicas federais do que haviam sido criadas em todo o século anterior. Sem falar no Pro-Uni, que já possibilitou o acesso de 1,4 milhões de jovens da periferia ao ensino superior. E poderíamos acrescentar o FUNDEB, o FIES, a Universidade Aberta, o Piso Nacional do Magistério etc. Tenho muito orgulho de ter sido, junto com o saudoso José Alencar, o governante que mais fez pela educação brasileira, da pré-escola à pós-graduação. Também nessa área, a Dilma está avançando muito, com o Pronatec e o Ciência Sem Fronteiras, por exemplo.
O senhor concorda com a tese de que o julgamento do mensalão foi político e que, portanto, os envolvidos são “presos políticos”?
Só vou me pronunciar sobre a Ação Penal 470 quando o julgamento estiver concluído. Mas é óbvio que a Suprema Corte não é lugar para fazer política. Quem quer fazer política deve filiar-se a um partido e assumir as suas posições em praça pública.
Link da entrevista no site do O Tempo: http://www.otempo.com.br/capa/pol%C3%ADtica/vamos-trabalhar-para-que-pimentel-tenha-apoio-do-pmdb-1.788862