Assembleia de Minas pagou combustível de helicóptero de Perrella-
publicado em 28 de novembro de 2013 às 10:00

PERRELLA
Combustível de helicóptero é custeado pela Assembleia
Deputado usou verba indenizatória do Legislativo para abastecer aeronave apreendida com cocaína
PUBLICADO EM 28/11/13 – 04h00
TÂMARA TEIXEIRA, no jornal O Tempo, sugerido pelo José Henrique Cerqueira Mariani
A Assembleia Legislativa de Minas banca o combustível do helicóptero
do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD), flagrado com 445 kg de
pasta base de cocaína, no último domingo, no Espírito Santo. Entre
janeiro e outubro deste ano, o parlamentar gastou R$ 14.071 com
querosene para avião, segundo o relatório do Portal da Transparência do
Legislativo. O Ministério Público de Minas informou que irá investigar o
caso. A Casa ainda pagava, desde abril, o salário de R$ 1.700 para o
piloto que dirigia a aeronave, Rogério Almeida, exonerado nessa terça.
O valor gasto só neste ano é suficiente para a compra de 2.814
litros, levando em consideração que o litro de querosene de avião custa
R$ 5, segundo uma pesquisa da reportagem em empresas especializadas. Com
o total seria possível percorrer, no mínimo, 6.500 quilômetros.
O deputado Gustavo Perrella confirmou ontem que utiliza a verba
indenizatória para encher o tanque da aeronave Robinson R-66, que
pertence à sua empresa Limeira Agropecuária e Participações Ltda.
Perrella reconhece, inclusive, que usa a máquina para deslocamentos
pessoais e da sua empresa, em sociedade com a irmã Carolina Perrella e o
primo André Almeida Costa.
Os abastecimentos com recursos da verba indenizatória são regulares e
só não aconteceram em fevereiro e abril deste ano. Em junho, por
exemplo, o valor gasto chegou a R$ 3.483. Em julho, no recesso
parlamentar, o deputado gastou R$ 1.547 em querosene de avião.
Por mês, cada parlamentar pode gastar R$ 5.000 com combustível e
lubrificante. A assessoria da Casa afirmou ontem que o valor não poderia
ser gasto com transporte aéreo, mas depois voltou atrás e disse que os
pagamentos, desde que fossem para viagens a trabalho, eram legais.
Ministério Público. O promotor Eduardo Nepomuceno
disse que há suspeita de irregularidade e que irá abrir uma
investigação. “Os gastos só podem ser para uso do exercício do mandato.
Lembro que o MP já investiga os gastos da mesma natureza referentes a
Zezé Perrella (senador, pai de Gustavo) no período em que este foi
deputado estadual”, explicou o promotor.
Gustavo Perrella afirma que não há irregularidade em abastecer o
helicóptero de sua empresa com o dinheiro da Assembleia. “Todas as vezes
que abasteci com a verba da Assembleia foi a trabalho, para visitar as
minhas bases”, disse.
Além do transporte aéreo, o deputado não dispensa o uso de carros. Só
neste ano, o abastecimento de seus veículos demandou R$ 27.185 da sua
cota de verba indenizatória. A Assembleia não exige a comprovação das
gastos. “Subentende-se que foi a trabalho”, disse a assessoria da Casa.
(Com
Larissa Arantes)
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[Gerson Carneiro pediu para conversar...]
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POLÍCIA FEDERAL
Contradições nos depoimentos
PUBLICADO EM 28/11/13 – 04h00
LUCAS PAVANELLI, no jornal O Tempo
O piloto do helicóptero da empresa do deputado estadual Gustavo
Perrella (SDD), Rogério Almeida Antunes, afirmou no depoimento à Polícia
Federal do Espírito Santo (PF), na última segunda-feira, ao qual
O TEMPO
teve acesso, que sabia que transportava mercadoria “ilícita” na
aeronave. A declaração é contrária ao que afirma seu advogado, Nicácio
Tiradentes, que nega que seu cliente sabia do frete ilegal.
Além da versão contraditória entre piloto e advogado, Rogério e o
copiloto Alexandre José de Oliveira Júnior também deram explicações
diferentes à PF.
Rogério disse que foi “pressionado” pelo copiloto Alexandre José de
Oliveira Júnior a aceitar o transporte e que receberia R$ 106 mil pelo
frete, mais as despesas com o helicóptero.
Por sua vez, o copiloto afirmou que o valor do frete prometido a ele
por um terceiro era de R$ 60 mil, que seria dividido com Rogério quando
retornassem.
Alexandre negou que soubesse que a aeronave transportava droga, “pois
o bagageiro estava trancado” quando ele entrou no helicóptero. No
entanto, ele reconheceu que não é um “comportamento normal” aceitar
qualquer tipo de frete sem saber o que é transportado.
Trajeto. Ainda de acordo com os depoimentos
prestados na última segunda-feira à Polícia Federal, o piloto Rogério
Antunes afirmou que os 445 kg de cocaína foram carregados em uma
localidade próxima a Avaré, no interior paulista. A aeronave, segundo
ele, fez duas paradas para abastecimento. No Campo de Marte, em São
Paulo, e em Divinópolis, na região Centro-Oeste.
PS do Viomundo: Versão do piloto Rogério e do advogado dele não batem,
como podemos ver aqui.
PS2 do Viomundo: Como escreveu um amigo de Facebook,
o helicóptero é do Perrella, o piloto é do Perrella, a fazenda-destino é
do Perrella, agora o combustível é do Perrella — mas a cocaína não tem
dono.
fonte: viomundo