quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Pnad foi a melhor dos últimos 20 anos, diz presidente do Ipea

Outros fatores que contribuíram para o bom momento da economia brasileira foram a melhor distribuição de renda e os ganhos reais do salário mínimo. Para economista, "no conjunto das transformações, foi a melhor Pnad dos últimos 20 anos"
O Brasil dos brasileiros vai muito melhor que o Brasil dos economistas. A conclusão é do presidente Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e secretário de Assuntos Estratégicos, ministro Marcelo Neri, que na manhã desta terça-feira (1º) fez uma análise dos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), no lançamento da primeira análise social da pesquisa 2012
Divulgados na última sexta-feira (27), os números da Pnad mostram que existem dois Brasis: um que gerou Produto Interno Bruto (PIB) de 0,9%, apelidado de “pibinho”, e outro, revelado pela pesquisa, que revelou crescimento de 8% na renda média dos trabalhadores, “um desempenho de nível chinês”, como definiu Néri.
“A Pnad 2012 surpreende muito, porque foi o ano do ‘pibinho’ – o PIB cresceu 0,9%, mas a renda média dos brasileiros cresceu 8,9%. Ou seja, uma diferença de 8 pontos percentuais. O Brasil dos economistas está indo muito pior que o Brasil dos brasileiros. A desigualdade deu uma estabilizada [descendente] em 2012, mas, com certeza, a pobreza teve uma queda espetacular por conta do crescimento”, afirmou Neri. Entre 2011 e 2012, 1 milhão de brasileiros deixaram a pobreza extrema e 3,5 milhões deixaram a pobreza.
Segundo o ministro, em todos os extratos da população, a renda aumentou bastante, “em ritmo chinês”, e “isso está em completa dissonância com os dados das contas nacionais do PIB”. Para Neri, o avanço registrado pela Pnad deve ser atribuído ao forte crescimento do mercado de trabalho, principalmente pelo aumento do salário e não tanto pelo crescimento na ocupação, pois o país está vivendo quase um momento de pleno emprego. “Houve uma melhora em termos de formalidade e mais acesso a direitos trabalhistas. Fundamentalmente, é uma economia em que o mercado de trabalho está descolado do crescimento do PIB. São dois Brasis completamente diferentes.”
Outros fatores que contribuíram para o bom momento da economia brasileira demonstrado na Pnad foram a melhor distribuição de renda e os ganhos reais do salário mínimo, destacou o ministro, que apontou nova queda na desigualdade: “de 2003 até 2011, tivemos um crescimento da renda na Pnad de 40,5% no acumulado. E o PIB per capita cresceu 27,7% nesse período.”
Outra avaliação da Pnad, realizada pelos pesquisadores Andrezza Rosalém e Samuel Franco, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) mostra que quatro milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza (renda mensal de até R$ 233) e outros 1,8 milhão saiu da linha da extrema pobreza, faixa que considera quem vive com até R$ 116,50 por mês. Em entrevista ao jornal O Globo, eles apontaram que o percentual de pobres do País baixou de 20,6% em 2011 para 18% no ano passado. Já a parcela da população em situação de extrema pobreza passou de 6,9% para 5,8%.
Tanto os pesquisadores do Iets quanto Marcelo Neri chamaram atenção para a desaceleração na queda da desigualdade, cuja taxa permaneceu estagnada entre 2011 e 2012. Nery destacou um dado curioso: os segmentos que tiveram o mais significativo crescimento de renda neste período foram os 5% mais pobres (cuja renda cresceu próximo dos 20%) e os 5% mais ricos, que tiveram um incremento de renda em torno dos 9%.
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Os 20% mais pobres da população tiveram
ganho nos rendimentos acima da média
nacional
Na leitura feita por Rosalém e Franco dos números da Pnad, eles destacam que apenas os 20% mais pobres da população tiveram ganho nos rendimentos acima da média nacional. As demais parcelas com renda também baixa ganharam igual ou inferior à média nacional. “Nos últimos dez anos, a pobreza caiu 1,5 ponto percentual por ano e, no ano passado, baixou 2,6 pontos. A extrema pobreza vem encolhendo em média um ponto por ano e recuou 1,1 ponto em 2012”, explicou Andrezza Rosalém.
Marcelo Neri também destacou a redução no total de pobres do País. Com critérios diferentes para classificar extrema pobreza, Neri afirma que o percentual de brasileiros nessa condição baixou de 4,2% em 2011 para 3,6% em 2012, o que indica que 1,1 milhão de pessoas deixaram essa condição no ano passado.
Bens duráveis
O período de 2011 a 2012 também registrou o maior aumento do acesso dos brasileiros aos bens duráveis desde 2008, segundo a Pnad. Naquele ano, o governo lançou o incentivo fiscal para combater a crise, mas acabou por renová-lo em várias ocasiões para estimular o consumo. Segundo Maria Lúcia Vieira, gerente do IBGE, o benefício do IPI menor “deu um empurrão” no acesso a eletrodomésticos da linha branca e veículos. Analistas citam ainda a expansão do crédito a custo menor – os juros só começaram a subir neste ano– como motor das vendas dos dois setores.
A grande vedete foi a máquina de lavar, bem de maior valor que se popularizou no país. Desde 2008, cerca de 10 milhões de lares passaram a ter o utensílio, presente em 55,1% dos domicílios em 2010. Em 1992, eram só 24,1%. Também cresceu o acesso a fogão e refrigerador, mas ambos já estavam na grande maioria dos domicílios.
O crédito fácil e mais barato até o ano passado fez ainda as famílias sofisticarem as compras. Os lares com geladeira de duas portas (com freezer separado) subiram 15% de 2011 para 2012, enquanto os que têm a de uma porta só caíram 2,5%. Ainda sob efeito do desconto do IPI e do financiamento, 5,7 milhões de famílias compraram carros desde 2008. A penetração do automóvel foi de 36,4% a 42,4%. “Além do IPI e do crédito mais barato, o emprego e a renda cresceram, o que ajudou as famílias a satisfazerem uma necessidade de consumo ou trocarem o carro ou a geladeira por um novo”, diz o economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio.
Educação
Os dados relativos à Educação foram analisados pelo professor de Economia da Unicamp, Eduardo Fagnani, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit). Para ele, os índices revelados pela Pnad mostram que o Brasil está “no caminho certo”, ainda que a pesquisa não apure a qualidade do ensino. “Mas a universalização já existe” e isso, segundo o professor, é o que irá garantir a diminuição das taxas de analfabetismo.
Em sua análise, a educação infantil vem sendo ampliada e isso é fato importante, “a chave para acabar com o analfabetismo”.
Para Fagnani, os resultados no setor da Educação não podem ser lidos sem se levar em consideração uma trajetória histórica e o passado recente, “quando os governos neoliberais transferiram as responsabilidades e os problemas para os indivíduos”, refreando a ação do Estado, mas defendeu que os números sejam usados para planejar o futuro. Ele lembra que o País criou mais de 18 milhões de empregos, na última década, mas esses são postos em geral em torno de um e meio salário mínimo. “Grande parte foi criado no setor de serviços, construção civil. Acredito que é importante na nossa reflexão pensar no crescimento industrial, que é capaz de aumentar a inserção dos trabalhadores de maneira menos precária”.

BRASIL SE QUISER SEGURANÇA DEVERIA SEGUIR O EXEMPLO

Governo russo lança "cópia" de Android sem participação da Google

Robôs verdes simbolizam o sistema Android

  • Robôs verdes simbolizam o sistema Android
O governo russo desenvolveu um sistema muito parecido com o Android, mas sem que o Google tenha acesso a ele. O nome do "novo" software é "Sistema Operacional Móvel da Rússia" - em inglês, Russian Mobile Operating System (RoMOS) - de acordo com o site ‘Ubergizmo’.
Os produtos que utilizam esse sistema operacional possuem previsão de chegada ao mercado no fim deste ano, com custo de U$ 460 (cerca de R$ 920).
A motivação para criar o software é a suposta capacidade da Google de capturar informações sobre os hábitos dos usuários que utilizam o Android.
O objetivo do programa é proporcionar aos membros da administração russa um ambiente seguro, de forma que possam trocar dados sem correr o risco de que esses bytes caiam nas mãos da empresa norte-americana.
Ainda segundo o site, além de inovar no software dos smartphones, o governo também teria adicionado ao sistema móvel o seu próprio GPS (Global Position System), chamado de Glonass (Global Navigation Satellite System).
Novamente, a justificativa para a criação de um novo software seria uma forma de prevenir uma possível ação americana, uma vez que os Estados Unidos possuem controle do sistema de GPS.
De acordo com uma análise de documentos realizada pelo ‘Wall Street Journal’, a Google e a Apple seriam capazes de registrar informações da localização do usuário via GPS e transmitir para as bases de dados das empresas.
FONTE: Do UOL, em São Paulo 03/09/2012
ipcaset

Inflação cai de novo. Catastrofistas, agora, só para 2014

9 de outubro de 2013 | 10:08
O IBGE acaba de divulgar o IPCA de setembro: 0,35%, como todo mundo esperava.
Claro que os jornais vão dar uma “puxadinha” por ter ficado acima dos 0,24% de agosto, mas não terão como registrar que, no acumulado, a inflação segue uma trajetória de queda, em lugar da alta explosiva que cansaram de prever, inclusive com o “estouro” do teto da meta, de 6,5%.
A inflação acumulada baixou para 5,83% e pode fechar o ano até abaixo de 5,5%, abaixo do registrado no ano passado, porque os índices dos três meses finais do ano, em 2012, foram elevados e não há sinais de que venham a se repetir.
Ninguém aqui é gênio. Todos os que acompanham a economia brasileira sabiam disso e, se não diziam, era  - e é – por interesses políticos e, cada vez mais, eleitorais.
Paradoxalmente, porém, a queda da inflação abre espaço para um realinhamento de preços “problemáticos”, como o dos combustíveis.
Explico: janeiro, fevereiro e, algumas vezes, março são meses em que, por razões sazonais – clima, no caso dos alimentos, e reajuste de contratos e serviços em janeiro – são comuns as elevações de preços.
E o ano que vem, além disso, vai começar com uma pressão mais intensa da mídia sobre a população em matéria de terrorismo inflacionário.
Até porque só um desastre econômico, ainda que mais figurado que real, é sua esperança em outubro.
Por: Fernando Brito

Sobral é beneficiado com sistema de abastecimento de água pelo Projeto São José III



A agricultura rural de Sobral recebeu um reforço no que diz respeito ao abastecimento de água. Em solenidade realizada, nessa segunda-feira, 7, no Centro de Eventos do Ceará, que reuniu o Governador Cid Gomes, o Prefeito Veveu, a Secretária da Agricultura, Luisa Barreto, e representantes de diversos outros municípios, foi divulgada a liberação de recursos para várias regiões do Estado, por meio de parceria com o Banco Mundial, para o Projeto São José III.

Na solenidade, foi autorizado pelo governador, a construção de 81 sistemas de abastecimento d'água, 125 módulos sanitários, além da assinatura da ordem de serviço para a perfuração de 395 poços profundos no Estado. "Estamos em contrato com o Banco Mundial para a maior operação de água do estado do Ceará. São R$ 660 milhões em benefício do pequeno agricultor rural", afirmou o governador.

Pelo Projeto São José III, Sobral foi contemplado com: sistema de abastecimento de água comunitário; bombeamento; instalação de adutora; instalação de caixas d’água, além de tratamento e distribuição residencial com hidrômetro.

O Município teve aprovados projetos de abastecimento de água para sete localidades, com 747 beneficiados, representados por associações. Ao todo, serão destinados R$ 3.915.868,17 para as obras, que terão como contrapartida dos agricultores, a realização de ações ambientais para a melhoria das comunidades, tais como: destinação correta do lixo, reflorestamento de áreas degradadas, plantio de matas ciliares, conservação de matas nativas e outras medidas de proteção dos recursos naturais das regiões beneficiadas.

O Projeto São José III atenderá às comunidades de Várzea da Pedra (Caioca); Pedra Branca (zona rural de Sobral); Cedro/ Trapiá (Jaibaras); Formosa/Purpurema (Bonfim); Setor VI (Jaibaras); Estivas (Aracatiaçu); e Fazenda São Domingos (Jaibaras). A Expectativa da Seagri é que o processo de licitação seja iniciado em meados de novembro deste ano, com previsão de início das obras para o mês seguinte, e entrega às comunidades entre os meses de fevereiro e março de 2014.

FONTE: BLOG DA PREFEITURA

terça-feira, 8 de outubro de 2013

247 – A ex-senadora Marina Silva, filiada desde o último sábado (8) ao PSB, já começa a mostrar que tem potencial para criar problemas para o presidenciável Eduardo Campos, de quem deverá ser candidata a vice-presidente. Em entrevista ao jornalista Josias de Souza, do UOL, ela diz não admitir a celebração de alianças partidárias a qualquer preço. Segundo Marina, os apoios que Campos já costurava deverão ser repensados.
“Não pode ser o tempo de televisão que vai nos aprisionar a uma lógica política que não nos dá a chance de mudar. Se for para ganhar para continuar refém da velha República, para governar tendo que distribuir pedaços do Estado, preso em uma lógica que não coloca em primeiro lugar os interesses estratégicos do país, então, não precisa ganhar. Isso já tem quem está fazendo”, disse.
Questionada sobre as negociações que o PSB estava fazendo com o PDT de Carlos Lupi e o PTB de Roberto Jefferson, Marina disse que desafio da sua nova legenda é colocar o “compromisso programático em primeiro lugar”. Segundo ela, “todo o processo anterior agora não terá mais a mesma continuidade, que agora tem um outro fato político, uma inflexão que terá que ser metabilizada dentro do PSB”.
“Uma coisa era o Eduardo com todas as dificuldades, em uma lógica que eu desconheço, porque não estava convivendo com ela, viabilizando sua candidatura. Outra coisa foi o movimento que ele fez na direção de buscar aprofundar em primeiro lugar o compromisso programático. Isso com certeza é o grande desafio que está colocado para o PSB”, disse.
E vai mais fundo: “eu, com 1 minuto e 20 segundos de televisão, tive 19% dos votos.” E acentua: “Não pode ser o minuto de televisão, 30 segundos de televisão, que faz com que a gente jogue o futuro da nação nas mãos daqueles que não entendem a lógica de que o governar juntos não pode ser feito em base no toma-lá-dá-cá. Eu dizia na campanha de 2010 que eu preferia perder ganhando do que ganhar perdendo. E eu continuo com o mesmo ponto de vista. É preferível perder ganhando do que ganhar perdendo”.
fonte: brasil 247

ENTREVISTA DA PRESIDENTA DILMA NO PROGRAMA DO RATINHO





sábado, 5 de outubro de 2013

247 – Os tucanos Andrea Matarazzo, ministro do governo FHC e secretário estadual nas gestões Serra e Covas, Henrique Fingermann e Eduardo José Bernini, ex-dirigentes da Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica (EPTE) são apontados em nova reportagem da revista Istoé que chega neste sábado (5) às bancas, como peças centrais nos escândalos que envolveram os governos paulistas em São Paulo. Primeiro na área de energia, depois no transporte público, atravessando as gestões de Mário Covas (1995-2001), de Geraldo Alckmin (2001-2006) e de José Serra (2007-2010). Esquemas envolveram pelo menos R$ 425 milhões dos cofres públicos. "Parte da propina paga pela empresa francesa Alstom abasteceu os cofres do PSDB paulista”, diz a matéria
“Documentos e depoimentos obtidos também já foram considerados suficientes para Milton Fornazari Júnior, delegado da Polícia Federal, estabelecer que as ordens dos executivos franceses Pierre Chazot e de Philippe Jaffré eram suficientes para convencer os mais altos escalões do governo estadual a conceder a Alstom vitórias em contratos superfaturados para o fornecimento de equipamentos no setor de energia. Eles usavam aquilo que um executivo da empresa francesa qualificou de “política de poder pela remuneração””, anota.
Confira a reportagem na íntegra:
Operação França
Investigações chegam ao topo do esquema e mostram que líderes tucanos operaram junto com executivos franceses para montar o propinoduto do PSDB paulista. Os acordos começaram na área de energia e se reproduziram no setor de transporte trilhos em SP
As investigações sobre o escândalo do Metrô em São Paulo entraram num momento crucial. Seguindo o rastro do dinheiro, a Polícia Federal e procuradores envolvidos na apuração do caso concluíram que o esquema do propinoduto tucano começou a ser montado na área de energia, ainda no governo de Mário Covas (1995-2001), se reproduziu no transporte público – trens e metrô – durante as gestões também de Geraldo Alckmin (2001-2006) e de José Serra (2007-2010) e drenou ao menos R$ 425 milhões dos cofres públicos. Para as autoridades, os dois escândalos estão interligados. Há semelhanças principalmente no modo de operação do pagamento de propina por executivos da multinacional francesa Alstom a políticos e pessoas com trânsito no tucanato para obtenção de contratos vantajosos com estatais paulistas. Nos dois casos, os recursos circulavam por meio de uma sofisticada engenharia financeira promovida pelos mesmos lobistas, que usavam offshores, contas bancárias em paraísos fiscais, consultorias de fachadas e fundações para não deixar rastros. A partir dessas constatações, a PF e o MP conseguiram chegar ao topo do esquema. Ou seja, em nomes da alta cúpula do PSDB paulista que podem ter tido voz ativa e poder de decisão no escândalo que foi o embrião da máfia dos transportes sobre trilhos. São eles os tucanos Andrea Matarazzo, ministro do governo FHC e secretário estadual nas gestões Serra e Covas, Henrique Fingermann e Eduardo José Bernini, ex-dirigentes da Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica (EPTE). Serrista de primeira hora, Matarazzo é acusado de corrupção por ter se beneficiado de “vantagens oferecidas pela Alstom”. De acordo com relatório do MP, as operações aconteciam por meio dos executivos Pierre Chazot e Philippe Jaffré, representantes da Alstom no esquema que teria distribuído mais de US$ 20 milhões em suborno no País. É a chamada conexão franco-tucana.
Para avançar ainda mais nas investigações e conseguir esquadrinhar com precisão o papel de cada um no esquema, a procuradoria da República obteve judicialmente a quebra dos sigilos bancários e fiscais dos três líderes tucanos e de mais oito pessoas. Constam da lista lobistas, intermediários e secretários ou presidentes de estatais durante a gestão de Mário Covas (PSDB) em São Paulo. A ordem judicial também solicitou informações sobre o paradeiro dos dois executivos franceses. As investigações conduzidas até agora já produziram avanços importantes. Concluíram que parte da propina paga pela Alstom abasteceu os cofres do PSDB paulista. Documentos e depoimentos obtidos também já foram considerados suficientes para Milton Fornazari Júnior, delegado da Polícia Federal, estabelecer que as ordens dos executivos franceses Pierre Chazot e de Philippe Jaffré eram suficientes para convencer os mais altos escalões do governo estadual a conceder a Alstom vitórias em contratos superfaturados para o fornecimento de equipamentos no setor de energia. Eles usavam aquilo que um executivo da empresa francesa qualificou de “política de poder pela remuneração”.
Uma série de evidências demonstra que a máfia na área de energia serviu como uma espécie de embrião do cartel dos trens. Ao elencar os motivos do pedido de quebra de sigilo, o procurador da República Rodrigo de Grandis faz a ligação entre os dois esquemas ao destacar a existência de “contratos de consultoria fictícios utilizados para o pagamento, entre abril e outubro de 1998, quando a Alstom T&D (por meio do consórcio franco-brasileiro Gisel) e a Eletropaulo negociavam um contrato aditivo à obra de reforma e expansão do Metrô de São Paulo”.
Os métodos para acobertar os pagamentos de suborno utilizados pela Alstom se assemelham aos de outras empresas do cartel dos trens, a exemplo da Siemens. Como ISTOÉ mostrou em julho, a multinacional alemã, por meio de sua matriz ou filial brasileira, contratava as offshores uruguaias Leraway Consulting S/A e Gantown Consulting S/A, controladas pelos lobistas Arthur Teixeira e Sérgio Teixeira, falecido. Os irmãos ficavam encarregados de intermediar ou distribuir o dinheiro da propina. Porém, o número de empresas em paraísos fiscais usadas pela Alstom para encobrir o pagamento dos subornos pode ter sido bem maior. Pelo menos cinco já foram identificadas: a MCA, comandada por Romeu Pinto Júnior e com sede no Uruguai, a Taltos, a Andros, a Janus e a Splendore. Elas eram operadas pelos franceses Pierre Chazot e Philippe Jaffré, então executivos da Alstom, por meio de procurações. Eles abriam contas nos Estados Unidos e na Suíça e distribuíam os recursos. Foi através dessa engrenagem que o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e homem forte do governo Mário Covas, Robson Marinho, recebeu cerca de US$ 1 milhão em uma conta na Suíça. O montante encontra-se bloqueado pela Justiça do país europeu.
Se alguém preferisse receber no Brasil, os executivos da francesa Alstom também se encarregavam de fazer o caminho de volta por um doleiro. Em depoimento ao Ministério Público, Romeu Pinto Júnior confirmou que recebia os valores em notas e que o executivo Pierre Chazot “lhe ordenava entregar os pacotes com dinheiro em espécie a pessoas”. Porém, inacreditavelmente, declarou “que desconhece a identidade” daqueles que foram os destinatários dos polpudos envelopes. Parte do dinheiro que chegou às mãos de Romeu veio pelo doleiro Luiz Filipe Malhão e Sousa. Ele assumiu para as autoridades ter feito duas remessas de contas da MCA do Exterior para o Brasil. “A primeira no valor de US$ 209.659,57”, destaca documento do MPF. “A segunda no valor de US$ 298.856,47”, consta em outro trecho. A origem de ambas as operações era uma conta da MCA no banco Union Bacaire Privée, de Zurique, na Suíça.
Assim como outras empresas do cartel, o conglomerado francês também lavava o dinheiro da propina em território nacional. O esquema consistia em contratar empresas brasileiras que emitiam notas de serviços que nunca foram prestados. Em troca de comissão, os valores pagos eram repassados pelos contratados a políticos e servidores públicos, sempre seguindo as ordens dos executivos do grupo francês. Era esse serviço que a Acqua Lux Engenharia e Empreendimentos, com um único funcionário, desempenhava. “A principal origem de receitas (da Acqua Lux) advém de serviços prestados à Alstom T&D Ltda.”, destaca documento do MPF. “Os peritos verificaram a possibilidade de a empresa, nos anos 2000 e 2001, não ter prestado efetivamente serviços para a Alstom”, diz o MP em outro trecho. O proprietário da companhia, Sabino Indelicato, figura entre os indiciados pela Polícia Federal. Na Siemens, a encarregada dessa função era a MGE Transportes, dirigida por Ronaldo Moriyama. De acordo com uma planilha de pagamentos do conglomerado alemão, já revelada por ISTOÉ, a empresa alemã pagou à MGE R$ 2,8 milhões até junho de 2006. Desse total, pelo menos R$ 2,1 milhões foram sacados na boca do caixa por representantes da MGE para serem distribuídos a políticos e diretores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
Também chama a atenção da Polícia Federal e do Ministério Público o fato de os dois escândalos utilizarem lobistas e consultores em comum. Um deles é Jorge Fagali Neto. Ex-secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo (1994) e diretor dos Correios na gestão Fernando Henrique Cardoso, Fagali Neto é conhecido pelo seu bom trânsito entre os tucanos. Seu irmão José Jorge Fagali foi presidente do Metrô na gestão de José Serra e é investigado pelo MP e pelo Tribunal de Contas Estadual por fraudar licitações e assinar contratos superfaturados à frente do estatal. Em 2009, autoridades suíças sequestraram uma conta conjunta com US$ 7,5 milhões de Fagali Neto com José Geraldo Villas Boas – também indiciado pela PF. A quantia depositada no banco Leumi Private Bank AG teve como origem o caixa da francesa Alstom. Agenda e e-mails entregues por uma ex-funcionária de Fagali Neto ao MP mostram que ele prestava serviços também a outras empresas da área de transporte sobre trilhos relacionadas ao cartel. Entre elas, a canadense Bombardier e Tejofran. O seu interesse pelo setor é tamanho que, por e-mail, ele recebeu irregularmente planilhas de um projeto ainda em desenvolvimento de Pedro Benvenuto, dirigente da Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo demitido nas esteiras das acusações. Em outra troca de mensagens com agentes públicos, Fagali Neto também mostra preocupação com a obtenção de financiamento junto ao Banco Mundial (Bird), BNDES ou JBIC para as obras das linhas 2 e 4 do Metrô paulista. Tamanha interligação entre os esquemas, segundo o Ministério Público e a Polícia Federal, não é mera coincidência.