Imagem: Reprodução Valor Econômico
Leia abaixo matéria publicada no jornal Valor
Econômico desta quinta-feira (23) sobre a participação de Lula no
seminário "As relações do Brasil com a África, a nova fronteira no
desenvolvimento global"
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva exortou as empresas
brasileiras a “vender seu peixe” em países africanos e disse que o país
deve atuar como um “mascate”. “A gente não vê mascate vender muito na
avenida Paulista [em São Paulo], mas ele vende muito na periferia”,
disse Lula, durante o encerramento do seminário “As relações do Brasil
com a África, a nova fronteira no desenvolvimento global”, promovido
pelo Valor, nesta quarta-feira (22), na Confederação Nacional da
Indústria, em Brasília.
Ele assegurou que
sempre defenderá investimentos do país no continente africano. “Não
cobrarei um centavo de ninguém para defender empresa brasileira em
qualquer parte do mundo. Desde que ela faça coisa lícita, pode contar
comigo”, prometeu.
“Em qualquer país da América do Sul, quando você liga a televisão em
um quarto de hotel, você vê canal árabe, chinês, japonês e não vê um
brasileiro. E vocês sabem, quem não se comunica, se estrumbica”,
completou, arrancando risadas da plateia ao citar o apresentador de TV
já falecido Chacrinha.
Para Lula, as empresas brasileiras “não podem repetir os erros que os
Estados Unidos e Inglaterra cometeram no fim do século XIX e início do
século XX”, e os empresários devem “colocar negros africanos para serem
diretores de nossas empresas”.
Ele explicou que quando era operário, na década de 70, os diretores
das empresas eram estrangeiros. “Nas fábricas da Volkswagen, acima de
peão, era tudo alemão. Ou seja, a gente não podia passar de peão.”

Para Lula, “os investimentos brasileiros devem se guiar por parcerias
com empresários africanos, no respeito à lei e nos direitos dos
trabalhadores”. Além disso, o Brasil “deve incentivar a transferência de
tecnologia e oferecer contrapartida social, contratar mão de obra
local”.
Lula atacou as “empresas que chegam na África e não contratam
trabalhador de lá”. “Quando elas saem, não fica um trabalhador formado. O
Brasil não pode repetir esse jeito de se relacionar com a África”,
frisou.
O ex-presidente ressaltou a importância do relacionamento com os
países africanos, dizendo que o “apoio maciço” do continente foi
“fundamental” para a recente vitória do embaixador brasileiro Roberto
Azevêdo para dirigir a Organização Mundial do Comércio (OMC). Lula disse
esperar que ele retome as negociações da Rodada Doha. “É melhor que a
gente faça um acordo único e garanta que mais comércio possibilite a
melhoria de vida para as pessoas.”
O ex-presidente frisou que “tudo o que um país produtor precisa é de
consumidor”. “E quanto mais pobre consumir, mais chance temos de
vender”. Para ele, não se trata de ideologia. “Aqui não tem Keynes,
Marx, Lênin, ninguém. Foi inserir o pobre no Orçamento da União que a
economia brasileira deu um salto de qualidade. Na hora que colocamos os
pobres pra comprar iogurte, tomar leite, comprar carne, frango, roupa, a
economia brasileira deu um salto.”
Ele criticou a política de países europeus. “O que não pode acontecer
é a tese da [chanceler alemã] Angela Merkel. Quanto mais aperto fiscal,
mais desemprego, como está acontecendo na Europa.”
Para o ex-presidente, a África vive um período de “renascença” e, do
ponto de vista da organização e criação de instituições multilaterais,
“o continente africano está mais evoluído que a nossa querida América
Latina”. Ele citou como um “enorme passo” o lançamento do programa de
desenvolvimento da infraestrutura da África, que prevê investimentos de
US$ 360 bilhões até 2040, e que, segundo ele, é norteado pelo “mesmo
espírito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”.
O seminário teve público de cerca de 350 pessoas, entre empresários,
diplomatas brasileiros e africanos, e outros representantes
governamentais. Os palestrantes apresentaram a África como o continente
de maior oportunidades no mundo, que quer deixar de ser um “coitadinho”
que recebe ajuda humanitária para ser um grande destino de investimentos
em áreas como infraestrutura, mineração, agricultura e bens de consumo.
Leia também:
Lula defende investimento brasileiro na África durante seminário em Brasília
Para baixar fotos em alta resolução, visite o
Picasa do Instituto Lula.