
"Não existe nenhum país no mundo com a perspectiva de futuro que o Brasil tem", disse Lula no jantar
Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula
Ex-presidente participou de encontro com
empresários e parlamentares franceses promovido pelo Consulado da França
em São Paulo
Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula
Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula
Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula
Lula participou na noite desta quinta-feira (21) de um jantar
realizado pelo Consulado da França em São Paulo para empresários
franceses que atuam no Brasil e parlamentares da França interessados na
política aeroespacial do país. O ex-presidente falou do avanço das
relações entre França e Brasil nos últimos anos, da necessidade de
superação da crise internacional por meio do crescimento e das boas
perspectivas que o Brasil tem pela frente.
Para baixar imagens em alta resolução, visite o
Picasa do Instituto Lula.
“Não existe nenhum país no mundo com a perspectiva de futuro que o
Brasil tem”, afirmou Lula lembrando a consolidação da democracia, a
ascensão social e a criação de empregos no país. Ele falou que o Brasil
ainda tem problemas, mas que muitos deles são decorrentes do crescimento
e não da estagnação. “Hoje esse país tem o que ofertar a quem aqui
quiser investir”, declarou.
Ele lembrou também o Fórum para o Progresso Social realizado pelo
Instituto Lula e pela Fundação Jean-Jaurès, em dezembro de 2012, em
Paris, e convidou todos para a segunda edição do seminário, que
acontecerá nos dias 11 e 12 de julho, em São Paulo. O principal tema
debatido no encontro do ano passado foi a necessidade de colocar o
crescimento como saída para a crise.
Sobre as relações entre Brasil e França, Lula ressaltou que a força
dos laços que unem os dois países e os avanços das relações nos últimos
anos. A balança comercial entre os países, que era de 3,4 bilhões de
dólares em 2003 chegou a 10 bilhões em 2012, citou Lula. Ele afirmou
ainda considerar “um salto de qualidade” na relação entre os dois países
a declaração assinada em dezembro do ano passado pela presidenta Dilma e
pelo presidente François Hollande intitulada “Por uma nova etapa da
parceria estratégica Brasil-França”.
Um dos anfitriões, o embaixador da França no Brasil, Bruno Delaye,
disse estar honrado em receber o ex-presidente e afirmou que “Lula é a
pessoa fora da Europa mais adorada pelos franceses”. Ele lembrou que
Lula e Mandela são os grande nomes internacionais reconhecidos pelas
diversas tendências políticas da França. “Admiramos ele porque ele mudou
as coisas, mudou a vida de milhares de pessoas”, explicou. O outro
anfitrião foi o cônsul da França em São Paulo, Damien Loras. Também
falou no evento o empresário brasileiro André Esteves.
Fala de Lula
Em seu discurso, Lula lembrou que “o patamar atual de nossas
relações e as perspectivas favoráveis que temos não caíram do céu.
Refletem um esforço conjunto de muitos anos”. Ouça abaixo a fala
completa ou veja o discurso lido do presidente (o texto não inclui os
improvisos):
Querido embaixador Bruno Delaye, querido cônsul Damien Loras, demais diplomatas franceses que atuam no Brasil.
É com satisfação que participo desse encontro com dirigentes de
empresas francesas que investem no Brasil, com os parlamentares que nos
visitam e demais convidados desta noite.
Agradeço o convite para estar aqui hoje com vocês. Cumprimento o caro
amigo André Esteves. Acredito que esta reunião acontece em um momento
particularmente positivo e auspicioso da relação França-Brasil.
No Fórum pelo Progresso Social que o Instituto Lula e a Fundação Jean
Jaurès realizaram juntos em dezembro passado, em Paris, com a presença
dos Presidentes Dilma Rousseff e François Hollande, ficou muito evidente
a força dos laços que nos unem. Estiveram conosco, ali, importantes
lideranças públicas e privadas dos dois países e os principais ministros
dos respectivos governos, além de dirigentes de organismos
multilaterais. A opinião geral é de que a cooperação Brasil-França, que
já é muito boa, pode e deve ser ainda mais forte e abrangente.
O patamar atual de nossas relações e as perspectivas favoráveis que
temos não caíram do céu. Refletem um esforço conjunto de muitos anos,
tanto na esfera pública quanto na privada, que de modo consciente e
determinado intensificamos na última década.
Para que vocês tenham uma ideia, a partir de 2003 houve 23 encontros
entre os Presidentes brasileiro e francês e nada menos que 13 visitas de
Presidentes franceses ao Brasil ou brasileiros à França. E nenhuma
dessas atividades foi meramente protocolar. Todas elas se debruçaram
sobre uma densa agenda de trabalho, discutindo e tomando decisões
operativas sobre temas bilaterais e globais.
Desse modo, quando lançamos – o então Presidente Chirac e eu – em 25
de maio de 2006, a Parceira Estratégica França-Brasil, não se tratava de
uma mera proclamação de intenções ou de retórica política. A parceria
estratégica consolidou os esforços já realizados, nas mais diversas
áreas, e estabeleceu objetivos ousados – mas concretos e palpáveis –
para os anos seguintes.
Agora, quando li a declaração conjunta dos Presidentes François
Hollande e Dilma Rousseff, de 11 de Dezembro último, a minha alegria foi
grande. Porque neste documento está registrado um compromisso efetivo,
que tem tudo para dar um novo salto de qualidade nas relações políticas,
econômicas, sociais, cientificas e culturais entre os nossos países.
Não é mais um abstrato e vazio “protocolo de intenções”. Sinceramente,
ninguém pode deixar de considerar atentamente esse documento.
O seu título é muito pertinente: Por uma nova etapa da parceria
estratégica Brasil-França. Os dois Presidentes decidiram “aprofundar” a
parceira estratégica bilateral e dotá-la “de novas ambições” – e essa é
uma atitude corretíssima porque já fizemos muito – mas podemos e devemos
fazer muito mais. O que foi feito não é apenas para ser celebrado, mas
para ser potencializado – ou fortalecido – e sobretudo ampliado.
Ali se afirma, de modo inequívoco, que os dois países vão incrementar
suas iniciativas conjuntas tanto no que diz respeito às relações
bilaterais quanto ao enfrentamento da crise internacional.
É nesse contexto que se situa a nossa relação. E é sobre essas duas
dimensões que quero compartilhar com vocês algumas reflexões. Primeiro
sobre a crise global, depois sobre as nossas relações bilaterais.
Concordo inteiramente com a decisão dos dois presidentes de “promover
sua visão como de uma ordem internacional mais próxima e mais justa e
de um sistema multilateral mais eficaz e representativo”.
E mais ainda quando afirma a necessidade de superar a crise
internacional pela via de crescimento, da solidariedade e de uma
cooperação global fortalecida. E que “a responsabilidade orçamentária
deve ser acompanhada pela adoção de medidas de retomada do crescimento
econômico que permitam aumentar o nível de emprego e preservar as
conquistas sociais”.
O crescimento é a saída para a crise. Foi esse o espírito que nos
moveu no Brasil em 2008, quando a crise se evidenciou. O incentivo à
produção, ao investimento, que foi atendido por empresários brasileiros,
franceses e de vários países do mundo possibilitou um salto
significativo no nosso mercado interno de consumo.
Combinado com uma ação efetiva do Estado, através do Programa de
Aceleração do Crescimento, o PAC, e articulado com uma série de
programas sociais de combate à pobreza, o resultado foi claro:
desenvolvimento econômico com redução significativa das desigualdades
sociais. Sempre com a manutenção permanente e consolidada de todas as
instituições democráticas. Uma combinação que poucos países do mundo
hoje podem compartilhar.
A chave do sucesso brasileiro foi transformar os pobres, que eram
vistos como um problema, em parte fundamental da solução. Tornaram-se
trabalhadores, consumidores, cidadãos, e fizeram a roda da economia
girar.
É esse quadro, consolidado e seguro que o Brasil ofereceu até aqui
para os investidores e empreendedores de todo o mundo e que nossos
amigos franceses tiveram a oportunidade de conhecer para lhes dar
segurança para atuar em nosso país.
Esse quadro se mantém intacto até aqui e suas perspectivas para os
próximos anos são todas promissoras. Apesar de alguns problemas e
dificuldades que ainda persistem e são do conhecimento de todos vocês
que estão no Brasil há anos, temos todos os motivos para manter o
otimismo. A taxa de desemprego no Brasil é a menor da nossa história. A
inflação está sob controle. Não tivemos, não temos e não teremos crise
na área energética, por mais que uns poucos torçam por isso.
Nosso ambiente de negócios é tranquilo, transparente e do
conhecimento de vocês. Fizemos muito até aqui juntos e temos muito ainda
para fazer juntos. Nosso intercâmbio comercial que era de US$ 3,48
bilhões em 2003 passou para US$ 10 bi em 2012, mas isso ainda é pouco
para duas das maiores economias do mundo. Somos parceiros históricos,
com laços inseparáveis entre nossos povos.
Em dezembro passado, em Paris, nossos presidentes deixaram claro o
rumo do crescimento como saída para crise. Hoje, tenho a oportunidade de
reforçar junto a vocês essa convicção. Desde já, trabalhamos juntos
para organizar a segunda sessão do nosso Fórum pelo Progresso Social.
Desta vez, aqui em São Paulo, nos próximos dias 11 e 12 de julho. Agora
pretendemos reunir os representantes dos principais bancos de
desenvolvimento do mundo. Desde já, eu convido vocês a participar deste
esforço. Obrigado pelo encontro de hoje e considero que o nosso próximo
encontro já está marcado.
fonte INTITUTO LULA