sexta-feira, 13 de julho de 2012


Iremos transformar a crise em oportunidade, afirma presidenta Dilma ao batizar plataforma P-59

Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de batismo da plataforma P-59, em Maragojipe, na Bahia. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (13), em Maragojipe, na Bahia, ao participar da cerimônia de batismo da Plataforma P-59, que vai transformar a crise econômica internacional em oportunidade para o Brasil melhorar as condições de produção.
“Nós progressivamente iremos transformar a crise em uma oportunidade para cada vez mais melhorar as condições do nosso país de produzir, crescer, aumentar sua renda e distribuir (…) O meu governo, eu posso assegurar a vocês, está atento para garantir que o nosso país, diante desta situação internacional, tenha um desempenho o melhor possível e saia dessa crise aproveitando oportunidades que sempre uma crise traz”, afirmou a presidenta.
Dilma afirmou que o governo está removendo entraves ao crescimento econômico sustentável do país ao reduzir as taxas de juros e os impostos. Segundo ela, o governo também trabalha para diminuir os custos da produção.
“Nós queremos de forma sistemática diminuir os custos no Brasil, não da forma como eles estão fazendo lá fora, que é reduzir o salário e os ganhos sociais que os trabalhadores conquistaram ao longo de toda uma história e uma vida de lutas. Nós queremos reduzir os nossos custos baseado na redução dos impostos e na capacitação cada vez maior da nossa força trabalho. O nosso caminho não é o caminho de tirar direito dos trabalhadores. O nosso caminho é outro”, disse.
A presidenta disse que o Brasil, ao contrário de alguns países europeus, buscará que os bônus, as vantagens e os lucros do desenvolvimento sejam distribuídos à população. Segundo Dilma, o governo fará concessões em várias áreas para assegurar uma taxa crescente de investimento e de geração de emprego.

fonte: BLOG DO PLANALTO

quinta-feira, 12 de julho de 2012


Marcio Sotelo Felippe: “Nenhuma notícia sobre as denúncias à OEA e ao CNJ saiu na grande imprensa”

publicado em 11 de julho de 2012 às 13:02

Marcio Sotelo Felippe: “Uma demonstração inequívoca de que a mídia tem lado e blinda, mesmo, as autoridades paulistas”
por Conceição Lemes
Na segunda quinzena de junho, duas graves denúncias foram feitas sobre a desocupação violenta do Pinheirinho, em São José dos Campos (SJC-SP), em 22 de janeiro de 2012. Curiosamente, nada na mídia até hoje. É como se não tivessem acontecido.
A primeira denúncia, no dia 19 de junho, foi a Reclamação Disciplinar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra cinco autoridades do Judiciário paulista: Ivan Sartori, presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP); Cândido Além, desembargador TJ-SP; Rodrigo Capez, juiz assessor da presidência do TJ-SP; Marcia Faria Mathey Loureiro, juíza da 6ª Vara Cível de São José dos Campos; e Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, juiz da 18ª Vara Cível do Fórum Central João Mendes Júnior, em SP.
Assinada por advogados, ex-moradores e movimentos de direitos humanos, ela pede apuração das irregularidades do procedimento judicial.
A segunda denúncia, divulgada no dia 22 de junho, foi dirigida à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) Além dos cinco membros do Judiciário já denunciados ao CNJ, ela incrimina também o governador Geraldo Alckmin, o prefeito Eduardo Cury e o coronel da Polícia Militar Manoel Messias, comandante da operação policial. Acusação: violação de direitos humanos.
Assinam-na vários advogados e entidades de peso: os professores de Direito Fábio Konder Comparato, Celso Antonio Bandeira de Mello, Dalmo de Abreu Dallari e José Geraldo de Sousa Junior; o ex-presidente da OAB-Brasil César Britto; o procurador do Estado de São Paulo Marcio Sotelo Felippe; o presidente do Sindicato dos Advogados de São Paulo Carlos Alberto Duarte; a Rede Social de Justiça e de Direitos Humanos, representada legalmente por Aton Fon Filho. Também os advogados Antonio Donizete Ferreira, Aristeu Cesar Pinto Neto Nicia Bosco, Giane Ambrósio Álvares e Camila Gomes de Lima.
“É um absurdo que nenhuma notícia sobre essas denúncias tenha saído na chamada grande imprensa”, indigna-se Marcio Sotelo Felippe, que foi procurador-geral no governo Mário Covas (1995-2001). “Uma demonstração inequívoca de que a mídia tem lado e blinda, mesmo, as autoridades paulistas.”
“A mídia tem também um lado ideológico e faz de conta que não tem”, acrescenta. “Esses setores conservadores fazem a defesa estratégica da propriedade e do que pensam ser ‘lei e ordem’. Para eles é o que tem de ser preservado, não importa o custo humano, o indizível sofrimento das pessoas, a iniquidade do ato. Os excluídos são invisíveis. Não saem no jornal. Eles ainda pensam como se pensava na velha sociedade escravocrata.”
O terreno do Pinheirinho consta como propriedade da Selecta, do megaespeculador Naji Nahas. O procurador Marcio Sotelo analisou minuciosamente a documentação referente ao processo de falência dessa empresa e descobriu que toda a ação para expulsar as mais de 6 mil pessoas do local — homens, mulheres, crianças de todas as idades, idosos e enfermos – serviu única e exclusivamente para beneficiar Nahas.
“Passados cinco meses não há nenhum procedimento para apurar responsabilidades”, observa Marcio Sotelo. “Imperioso então recorrer a uma corte internacional. Afinal, o aconteceu no Pinheirinho foi crime contra a humanidade e toda a estrutura política e jurídica está envolvida. Ela não se pune a si mesma”.
RESPONSABILIZAÇÕES E REPARAÇÕES PEDIDAS À OEA
Na denúncia à OEA, os advogados signatários pleiteiam, entre outras coisas, que o Estado brasileiro:
* seja declarado responsável pela violação da Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem;
* indenize os danos morais e materiais, de forma justa e compensatória, todas as pessoas desalojadas do Pinheirinho, bem como garanta a efetivação dos seus direitos à moradia adequada;
* apure responsabilidades civis e penais de todas as autoridades envolvidas com o despejo da comunidade do Pinheirinho, inclusive o governador do Estado de São Paulo e o presidente do TJ-SP;
* seja submetido à Corte Interamericana de Direitos Humanos, caso não haja adequada solução.
“Estamos exigindo essas responsabilizações, porque o Estado não fez nada. Nem antes, nem durante nem depois”, frisa Sotelo. “Além da violência com que as pessoas foram arrancadas de suas casas de madrugada, o mais assustador foi o ardil usado pelas autoridades paulistas para desalojar a população.”
Em 2004, a massa falida da Selecta ingressou com ação de reintegração de posse do terreno do Pinheirinho. Em 2005, o juiz da 6ª Vara Cível de São José dos Campos indeferiu a liminar. O recurso ficou parado durante no Tribunal de Justiça de São Paulo. Até que, em junho de 2011, foi para as mãos da juíza Marcia Loureiro que rapidamente deferiu a reintegração de posse.
A denúncia à OEA salienta:
Diante da tragédia social e humana que se avizinhava, com a iminente retirada à força de 1659 famílias de suas moradias, parlamentares e representantes dos moradores tentaram uma negociação com os interessados e autoridades judiciais.
No dia 18 de janeiro de 2012, quinta-feira, reuniram-se no gabinete do juiz da Falência, Dr. Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, o Senador da República Eduardo Matarazzo Suplicy, os Deputados Estaduais Carlos Giannazi e Adriano Diogo, o Deputado Federal Ivan Valente, o síndico da massa falida Jorge T. Uwada, o advogado da massa falida Julio Shimabukuro e o advogado da empresa falida Selecta, Waldir Helu.
Conseguiu-se então um acordo de suspensão da ordem judicial dereintegração de posse pelo prazo de 15 dias. O juiz da falência declarou na petição em que formalizado o acordo, por despacho de punho próprio, que havia telefonado para a juíza Márcia Loureiro, responsável pela ordem de reintegração de posse, comunicando o resultado da negociação.
No entanto, de surpresa, sem qualquer notificação, em flagrante, literal e traiçoeira violação do acordo de suspensão da ordem judicial, três dias depois ocorreu a violenta desocupação e remoção das 1.659 famílias.
Na madrugada de domingo, dia 22 de janeiro de 2012, às 5h30 da manhã, o bairro Pinheirinho foi cercado pela polícia estadual e pela guarda municipal de São José dos Campos. Mais de 2 mil policiais entraram na área, lançando bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha contra uma população que dormia, indefesa. Todos os moradores, incluindo mulheres, recém-nascidos, crianças, idosos e enfermos foram arrancados de suas casas (os grifos constam da própria denúncia).
“O Alckmin participou de todo esse ardil, preparado durante quatro meses”, acusa Marcio Sotelo. “Ao mesmo tempo em que, via secretário da Habitação, conversava com parlamentares e moradores acenando com uma negociação, ele autorizava e organizava a operação policial para desocupação da área. Ninguém desloca 2 mil policiais militares sem que o governador saiba.”
A denúncia à OEA também sustenta:
Pode-se comparar a operação policial, em sua brutalidade e selvageria, a um “pogrom”, ou à Noite dos Cristais na Alemanha nazista, que destruiu milhares de propriedades, casas e templos da comunidade judaica em 1938. Na comunidade do Pinheirinho, no Brasil de 2012, no entanto, o motivo não foi o ódio étnico. Foi o alegado direito de propriedade, reputado absoluto pelo Judiciário e imposto ao custo de indizível sofrimento de toda uma população.
 A remoção violenta das 6 mil pessoas aqui descrita, além de violadora de diversos dispositivos da Convenção e da Declaração Americanas, a seguir mencionados, também caracteriza crime contra a Humanidade, nos termos do art. 7º , letra “k”, do Estatuto de Roma: ato desumano que provocou intencionalmente grande sofrimento, ferimentos graves e afetou a saúde mental e física de coletividade. Frontal violação do princípio da dignidade humana, com insuperável dano à integridade física e psíquica das vítimas e efeitos traumáticos em crianças, que perdurarão em suas existências.
 “Além disso, não houve qualquer preocupação com os moradores, uma população completamente desprotegida, carente, despossuída, que foi amontoada em abrigos públicos, como se fossem animais”, completa Sotelo. “Todos os grandes responsáveis e os perpetradores têm de ser responsabilizados por essa tragédia humana.”

fonte: viomundo

JC avisa: “Roger Agnelli quase quebrou a Vale”

JC avisa: “Roger Agnelli quase quebrou a Vale” Foto: Edição/247

Geólogo que fez as maiores descobertas minerais do Brasil nos últimos anos, João Carlos Cavalcanti alerta mercado sobre o megaprojeto de André Esteves, do BTG Pactual, e Roger Agnelli: "Não vai dar certo"; ele lembra que, na Vale, Agnelli tentou comprar a Xstrata por US$ 90 bi e foi impedido por Dilma

12 de Julho de 2012 às 12:22
247 – O geólogo João Carlos Cavalcanti entende do seu riscado. Nos últimos anos, ele construiu fama e fortuna pela descoberta das maiores  jazidas de minério de ferro, níquel, fosfato, alumínio e, mais recentemente, neodímio que se têm notícia no Brasil. Projetos bilionários dos grupos Mittal, em Caetité, na Bahia, e Votorantim, com a Sul-Americana de Metais, em Minas Gerais, se assentam neste momento sobre seus achados. Primeiro profissional do setor a apontar a bolha de petróleo e gás em que se meteu a OGX de Eike Batista, que paga com o derretimento de suas ações em bolsa por não conseguir entregar a espetacular produção prometida ao mercado, JC antevê agora um novo fracasso na área de exploração das riquezas subterrâneas do Brasil.
“Esse negócio que está sendo feito entre o Roger Agnelli e o André Esteves não vai dar certo”, crava a respeito da recém parida B&A Mineração, associação entre a AGN Agroindustrial de Agnelli e o BTG Pactual Participações. “Capital com capital, sem trabalho, não gera riqueza, é o homosseaxualismo da atividade empresarial”, diverte-se. Conhecido pela opinião franca, o geólogo é hoje fonte de informação dos principais meios de comunicação empresarial do planeta.
O centro da crítica de JC está na direção que Agnelli deverá impor ao novo negócio. “Ele não é geólogo, é contador. Vai se atrapalhar com o que tem pela frente”, aposta. Com capital de US$ 520 milhões, a B&A avisa que irá “explorar oportunidades de investimentos no setor de mineração com foco no Brasil, América Latina e África”. Desde já, é certo que parte do dinheiro será usado para aquisições. “Os sócios do Agnelli precisam ter cuidado”, alerta JC. “Na Vale, ele tentou comprar a Xstrata (mineradora australiana) por 90 bilhões de dólares, foi a Dilma que não deixou”, recorda. “A Vale teria quebrado ali mesmo”. Logo após a tentativa formal de compra, em 2008, quando a mineradora brasileira então presidida por Agnelli até mesmo saiu a mercado para captar recursos, a Xstrata perdeu substancialmente seu valor e chegou a ser avaliada em US$ 10 bilhões. No início deste ano, foi vendida à Glencore por US$ 26 bilhões.
JC, diga-se, é bom de previsões. Além das descobertas de jazidas minerais que o tornaram um dos homens mais ricos do País, ele se adiantou ao mercado financeiro na certeza de que os empreendimentos de Eike Batista em petróleo e gás, por meio da OGX, estavam envolvidos numa bolha de super estimativas. “O mercado comprou os olhos azuis de Eike e não o que ele efetivamente tem para vender”, disse JC à agência Bloomberg. Agora, em relação a seu olhar sobre o futuro da B&A, não custa lembrar o ditado: quem avisa amigo é.

Abaixo, notícia desta quinta-feira 12 do portal G1 sobre anúncio da criação da B&A Mineração:

O BTG Pactual anunciou na manhã desta quinta-feira (12), em fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a associação com a AGN Agroindustrial, Projetos e Participações, empresa controlada por ex-presidente da Vale Roger Agnelli.
A associação formará a B&A Mineração que irá explorar oportunidades de investimentos no setor de mineração, com foco no Brasil, América Latina e África.
O investimento previsto será de US$ 520 milhões para custear o plano de negócios, desenvolvimento e expansão orgânica por aquisições da nova empresa.
A conclusão da operação está sujeita à verificação de condições típicas para esse tipo de negócio.
O anúncio da parceria acontece depois que no início deste mês, a BTG Pactual Participations vendeu fatia que tinha na holding focada em óleo e gás STR Projetos e Participações em Recursos Naturais (STR RN) por 699,7 milhões de reais.

fonte: brasil247

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Demóstenes foi cassado, mas 24 senadores votaram a seu favor


Em 06/03/2012, Aécio Neves (PSDB-MG) fez enfática defesa de Demóstenes, quando ainda havia perspectiva de abafar o escândalo Cachoeira.


Demóstenes Torres (ex-DEM/GO) não é mais senador. Ele foi expulso do Senado, cassado por 56 votos, por ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Como o voto é secreto, a gente nunca ficará sabendo quem foram os 19 senadores que votaram contra a cassação, nem os 5 senadores que se abstiveram.

O voto de Aécio Neves (PSDB-MG), por exemplo, é uma incógnita. O senador mineiro tinha uma relação de compadrio a ponto de atender pedidos de Demóstenes para nomear pessoas em Minas, apesar dele ser um senador goiano.

Um caso de aparelhamento no governo tucano mineiro foi a nomeação de uma sobrinha de Cachoeira para um cargo de chefia em Uberaba, a pedido do bicheiro, intermediada por Demóstenes junto a Aécio.

Cachoeira e sua família também tem negócios ilícitos em cidades mineiras, explorando máquinas de caça-níqueis em Uberlândia e Araxá, segundo interceptações telefônicas da Polícia Federal. E já explorou contratos de lixo com a prefeitura da segunda cidade, rompido após denúncias de superfaturamento.

Em uma interceptação telefônica da Polícia Federal, o sargento Dadá, araponga de Cachoeira, fala com uma pessoa não identificada sobre um esquema de jogos na capital mineira. O homem diz a Dadá que iria viajar a Belo Horizonte para se encontrar com uns políticos, “gente forte da área lá” para resolver uma pendência.

O bicheiro já comandou seis empresas em Minas. Algumas ganharam de presente dos tucanos a privatização da loteria estadual. Documento elaborado pela Assessoria de Planejamento e Coordenação da Loteria Mineira, em julho de 2000, revela que o contrato firmado causou um prejuízo da ordem de R$ 286 milhões durante a gestão do ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB).

Em 2003, quando Aécio já era governador, o bicheiro foi protagonista de um escândalo em Minas por operar, sem licitação, jogo da Loteria do Estado de Minas Gerais por meio da Jogobrás do Brasil Ltda.

Desde 2000, Cachoeira vem sendo investigado pelo Ministério Público Estadual (MPMG). A Promotoria de Combate ao Crime Organizado do MPMG iniciou uma devassa nos negócios dele em Minas, mas decisão do Conselho de Procuradores barrou a iniciativa (numa clara blindagem aos demotucanos), alegando que as investigações de contravenção penal são de responsabilidade do Juizado Especial Criminal.

Logo que o escândalo Cachoeira estourou, e Demóstenes fez seu primeiro discurso, Aécio fez um emocionado aparte em solidariedade a Demóstenes e reiterando sua confiança no senador goiano. Depois, com os diálogos comprometedores e a linha direta com Cachoeira, via Nextel, ganhando o noticiário nacional, o tucano mineiro recuou publicamente em seu apoio à Demóstenes, mas sempre foi discreto ao tratar do assunto. Em frente as câmeras, Aécio dá a entender condenar Demóstenes, mas não consegue dissimular o desconforto com a cassação do antigo parceiro.
FONTE: OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

Ainda precisamos melhorar, cadeia para esse tipo de político


Demóstenes foi aquilo que Veja quis que fosse

Demóstenes foi aquilo que Veja quis que fosse Foto: Edição/247

O senador goiano não se transformou em “mosqueteiro da ética” por vocação; ele exerceu o papel porque isso interessava a determinada imprensa, que se levantou contra um projeto político, com um discurso hipócrita e de viés neoudenista, construído em torno do falso moralismo

11 de Julho de 2012 às 07:36
247 – Chegou o grande dia. O senador Demóstenes Torres (sem partido/GO) será finalmente cassado nesta quarta-feira. Com sua queda, cairá também a hipocrisia da sociedade brasileira que, nos últimos anos, foi alimentada por um discurso político e ideológico, de linhagem udenista, construído por falsos moralistas – no Congresso, e fora dele.
Neste jogo, papel de destaque deve ser atribuído à revista Veja. De certa maneira, foi a publicação da Editora Abril que moldou o comportamento do senador goiano. Demóstenes não se transformou em “mosqueteiro da ética” por vocação. Apenas exerceu esse papel porque, rapidamente, percebeu que era o que lhe rendia mais citações nas páginas da revista e alguns segundos no Jornal Nacional.
Ex-secretário de Segurança de Goiás, ele poderia ter sido um “xerifão”, por exemplo, na linha do “bandido bom é bandido morto”. Vestiu um papel mais civilizado, porque havia uma avenida aberta.
Em julho de 2007, quando Veja movia uma campanha contra o senador Renan Calheiros – não por razões éticas, mas porque o político alagoano liderava a ala do PMDB que se aliaria ao PT, e não ao PSDB nas eleições seguintes –, a revista elegeu os “mosqueteiros da ética”. E, claro, Demóstenes estava lá.
“O outro (mosqueteiro da ética) é o incansável senador Demostenes Torres, do DEM de Goiás. No Conselho de, digamos assim, Ética do Senado, ele é uma das únicas vozes a exigir investigações sérias e denunciar as manobras para absolver sem apurar. Demostenes Torres entende o que muitos senadores fazem questão de não ver: o Senado está se desmoralizando numa velocidade avassaladora. A esperança que resta é que esse pequeno conselho de mosqueteiros da ética consiga derrotar as malandragens do grande Conselho de, digamos assim, Ética do Senado”, dizia o texto da revista.
Chega a ser risível, portanto, ver Demóstenes protestar diante de um plenário vazio contra os julgamentos sumários da mídia. Ora, justamente ele que era sempre o primeiro a se apresentar ao batalhão de fuzilamento?
Mais recentemente, Demóstenes concedeu entrevista de páginas amarelas à revista Veja. Posou vestindo a roupa que lhe foi costurada pela Abril e disse: “Só nos sobrou o Supremo”. Segundo ele, até mesmo o Senado havia passado a reagir bovinamente diante dos escândalos sucessivos de corrupção (denunciados, é claro, por Veja). “Antes do mensalão, ainda havia certo pudor dos parlamentares em abrir investigações, quebrar sigilos e dar uma satisfação ao eleitor”, disse o (ainda) senador goiano.
Pois, se é assim, nesta quarta-feira, o Senado se reconciliará com a opinião pública cassando o Senador Cachoeira.



FONTE: BRASIL247

terça-feira, 10 de julho de 2012

Em menos de 10 anos, ‘nova’ direita ficou velha

Em menos de 10 anos, ‘nova’ direita ficou velha Foto: Edição/247

“Pensadores” como o blogueiro Reinaldo Azevedo, o astrólogo Olavo de Carvalho e o filósofo Luiz Felipe Pondé arrebanham seguidores para suas teses contra o politicamente correto, contra as políticas afirmativas, ou a favor do anti-esquerdismo. Agora com a companhia do senador Álvaro Dias, eles recuperam um antigo vício da direita brasileira: o apoio a golpes na América Latina 

09 de Julho de 2012 às 21:45
Heberth Xavier_247 - Há seis anos, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma reportagem na qual mostrava a curva ascendente da chamada “nova direita” sobre o pensamento brasileiro. As palavras iniciais do texto, intitulado “Direita, volver!”, foram felizes ao resumir o zeitgeist daquele início de 2006 no Brasil:
“De repente passou a ser bacana o sujeito, numa festa ou numa mesa de bar, rodopiar a taça de vinho e desfilar frases do tipo ‘essa canalha bolchevique do PT não sabe nem falar português’, seguidas de elogios à atuação de George W. Bush no Iraque ou de incursões ‘teóricas’ das quais a principal lição a ser retirada é que só é pobre quem quer.”
O clima cultural favorecia esse grupo, logo apelidado de “nova direita” na própria matéria da Folha. Dele faziam parte o blogueiro da revista Veja, Reinaldo Azevedo; o astrólogo (autointitulado filósofo) Olavo de Carvalho; o poeta e jornalista Nelson Ascher, entre outros.
De lá para cá, passaram-se mais de seis anos. Alguns nomes de maior ou menor qualidade poderiam ser acrescentados à lista, como o filósofo Luiz Felipe Pondé, o jornalista Augusto Nunes e alguns políticos que, antes envergonhados do rótulo, hoje não se esquivam em reivindicar-se “de direita”.
Não que isso seja necessariamente ruim, pelo contrário. O que impressiona é como o “novo” rapidamente se tornou “velho”. Não foi necessária mais do que uma dezena de anos para logo essa “direita” confundir-se com o retrógrado, com a defesa de golpes, com o anti-reformismo, com o flerte perigoso com tendências chauvinistas, com o desprezo a minorias, com a religião “anti-politicamente-correta”, com as teorias conspiratórias e, nos casos extremos, até com opiniões grotescamente folclóricas…
E logo a “nova” direita se tornou tão velha quanto a esquerda pueril que ela tanto criticava e que reduzia realidades complexas a uma  mera equação da luta de classes, da luta do bem contra o mal. Surgiram pensadores inteligentes e perspicazes nesse campo, gente como os economistas reformistas Paulo Rabello de Castro ou José Alexandre Scheinkman, mas eram apenas exceções a confirmar a regra.
O astrólogo e “filósofo” Olavo de Carvalho é um dos mais “adorados” pelos “novos” direitistas - não poucos, de fato, são novos cronologicamente falando. A turma de adoradores acompanha tudo o que Carvalho diz nas redes sociais. Dos Estados Unidos, onde mora atualmente, o astrólogo defende teses campeãs como a de que a multinacional Pepsi-Cola seria um dos instrumentos usados pelos defensores do aborto. “Tome Pepsi-Cola e se torne um abortista terceirizado”, diz o pensador da “nova-velha” direita brasileira, para quem a fabricante de bebidas está usando “células de fetos abortados como adoçante nos refrigerantes” - se você não acredita, clique aqui…
Outra arma da “nova-velha” direita é ser contra qualquer tipo de política afirmativa. Se alguém defende cotas para mulheres nos partidos políticos, ela contra-argumenta ameaçando o indefeso interlocutor: “Daqui a pouco vão defender cota para gordos, para canhotos, para “loiras-burras”, para “ex-BBBs”… A “nova-velha” direita também não gosta muito de políticas de transferência de rendas (também afirmativas, pois focalizadas) como o Bolsa Família, pois “estimuladoras da preguiça e da acomodação” - ok, alguns argumentos são mais sofisticados, mas na prática se reduzem a isso. Inútil lembra-la que essas políticas foram defendidas pelos liberais de Chicago, ainda nos anos 1980, como uma forma de compensar os mais pobres pelos desvios da política chamada neoliberal.
Na economia, por sinal, a “nova-velha” direita nunca foi tão velha, com o problema de, agora, abusar da repetição de clichês e bordões. No ano passado, por exemplo, quando o Banco Central reduziu a taxa básica de juros (Selic), o coro da “nova-velha” direita ganhou novas vozes, como a do jornalista Carlos Alberto Sardenberg ou a do economista e articulista de Veja Maílson da Nóbrega. Aos juros menores, eles brandiam o argumento de que a inflação voltaria. À manutenção da inflação sob controle nos meses seguintes, silêncio.
Em 2009, na gênese da crise mundial que dura até hoje, o governo Lula decidiu usar os bancos públicos - Caixa e Banco do Brasil - para forçar a concorrência a reduzir as taxas na ponta. A “nova-velha” direita voltou-se contra a medida, sob o argumento de que a contabilidade das duas instituições não teria como sustentar a intervenção política de Lula. Na época - como agora -, a chamada “intervenção” realmente levou os juros bancários para baixo - inclusive entre os bancos privados. No fim daquele ano, os balanços do BB e da Caixa ficaram no azul, com recorde de lucro. A “nova-velha” direita silenciou novamente…
A última da “nova-velha” direita brasileira é aplaudir golpes em países latino-americanos. À guisa de não repetirem antigos chavões de pouca credibilidade atual, seus representantes inauguraram novas modalidades golpistas. Em Honduras, ainda que a prisão do então presidente Manuel Zelaya, em 2009, tenha sido classificada como “golpe” pela ONU, para a “nova-velha” direita brasileira não foi mais do que o cumprimento de uma decisão do Poder Judiciário. No Paraguai, teria sido legítimo o impeachment de Fernando Lugo pelo simples fato de ter sido obra do Congresso - transformaram um instrumento democrático legítimo (o impeachment) em fetiche.
Não deixa de ser ridículo - para não dizer vexatório - assistir a um senador da República, de passado contrário ao regime militar no Brasil, como é o caso do senador tucano Álvaro Dias, postar-se como maior defensor mundial do golpe à paraguaia. “Lugo teve oportunidade de defesa”, disse o senador, referindo-se às 18 horas concedidas a um presidente eleito para defender-se das acusações. Levantou a bola para seu rival, ex-companheiro de MDB nos tempos da ditadura militar e também senador pelo Paraná, o polêmico Roberto Requião: “Num processo de multa de trânsito, o cidadão paraguaio tem dez dias para apresentar sua defesa e mais cinco para um recurso”.

FONTE: BRASIL 247